Convidado

França: Imagens de violência policial questionam lei de Segurança

Áudio 10:51
 Novo vídeo de uma violência extrema, que mostra vários polícias a espancar sem motivo aparente um homem negro.
Novo vídeo de uma violência extrema, que mostra vários polícias a espancar sem motivo aparente um homem negro. - / Michel Zecler / GS Group AFP

As autoridades francesas estão a investigar o espancamento por parte da polícia de Michel Zecler, um homem negro, produtor de música, no fim-de-semana passado, por estar na rua sem máscara. A investigação ocorre depois da divulgação de imagens das câmaras de vigilância. Os quatro agentes foram suspensos e detidos preventivamente.

Publicidade

O episódio que  “chocou” o presidente Emmanuel Macron, veio relançar o debate sobre o racismo e as violências policiais em França, alimentado pela controversa lei da “Segurança global”. Numa entrevista ao canal de televisão France 2, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, garantiu que os agentes seriam sancionados se o delito for confirmado.

Victor Pereira, professor de História na Universidade de Pau, no sudoeste de França, reconhece que as imagens das câmaras de vigilância permitiram contrariar a versão da polícia e deram credibilidade ao testemunho de Michel Zecler.

"Eles [os polícias] disseram que foi ele [Michel Zeckler] que os tinha puxado para dentro de casa e tentado roubar as armas, mas nas imagens vê-se que tudo que disse a polícia é falso. Que essa pessoa [Michel Zeckler] não intentou contra a integridade física da polícia. Ele é que foi espancado de forma barbara", salientou.

O incidente levou o primeiro-ministro francês, Jean Castex, a anunciar a criação de uma comissão para propor a revisão do artigo 24, que impede o registo vídeo das operações das forças policiais. A decisão já mereceu as críticas da oposição e do presidente da Assembleia Nacional, Richard Ferrand, que esclareceu que o governo não pode substituir as prerrogativas parlamentares.

“Só os deputados escrevem e votam as leis”, justificou Richard Ferrand.

O historiador considera que a criação de uma comissão é uma tentativa política para criar a ilusão de que o governo está atento aos protestos. "Parece que a lei foi votada muito depressa e que esse debate, que vai existir com a essa comissão, devia ter sido feito antes", referiu. 

Victor Pereira admite que, em último caso, o que poderá acontecer é o Conselho Constitucional "retocar a lei", por considerar que "viola a constituição" e  "fere o direito de liberdade de informação"

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI