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Cartazes e cânticos de centenas de jovens marcam cortejo fúnebre de Inocêncio

Áudio 07:27
Cortejo funebre de Inocêncio Alberto de Matos
Cortejo funebre de Inocêncio Alberto de Matos © https://www.facebook.com/laura.macedo.391
Por: Lígia ANJOS
10 min

Centenas de jovens juntaram-se esta manhã para prestar uma última homenagem a Inocêncio de Matos, que morreu durante a manifestação de 11 de Novembro.

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Cartazes, palavras, cânticos e flores marcaram o cortejo fúnebre de Inocêncio de Matos. Durante 12 quilómetros, familiares e amigos pediram justiça pela morte de "Beto", como era tratado pelas pessoas mais próximas.

O cortejo fúnebre de partiu do bairro São Pedro da Barra, Distrito do Sambizanga em direcção ao cemitério do Catorze.

"Saímos cerca de trezentas pessoas da porta de casa de Inocêncio e chegamos mais de 1.000 ao cemitério. Hoje ficou provado que marchas com 1.000 pessoas na rua, sem intervenção da polícia, podem correr em paz e as podem reivindicações ouvidas", garante a activista Laura Macedo.

O cortejo fúnebre juntou perto de 1.000 pessoas, numa manifestação que exigiu justificações e justiça pela morte de Inocêncio. "O que aconteceu hoje, quer queiram ou não, chama-se manifestação.. não houve intervenção das autoridades", descreveu Laura Macedo.

"Inocêncio, descansa, a luta continua", "o povo não tem medo" ou "MPLA é que o matou", gritavam os manifestantes a caminho do cemitério da Mulemba, no município do Cazenga, em Luanda.

"Quando chegou altura de pôr o caixão no carro, seis jovens ofereceram-se e rumaram para a estrada com o caixão, ignorando o carro fúnebre. Todos se juntaram, inclusive os familiares fizeram este percurso connosco. Não houve nenhum percalço, ninguém foi incomodado. Ocupámos uma das faixas de rodagem, o trânsito parou, mas ninguém reclamou. Os poucos elementos infiltrados, que a polícia lá pôs, não tiveram como provocar arruaças", descreve.

Embora as causas da morte ainda não tenham sido divulgas oficialmente, a segunda autópsia foi realizada na quinta-feira, 26 de Novembro, a pedido da família a advogados.

"Para quem luta por uma Angola melhor, por uma Angola mais equilibrada e por uma distribuição de riqueza para todos, esta morte marca uma viragem e dá-nos mais vontade de lutar. Eu sei que, com a minha idade, já não posso ter grandes aspirações, mas quero que os meus netos e bisnetos tenham uma Angola saudável e que não tenham, como eu , que conviver com a indigência todos os dias. A indigência em Angola tem que acabar e a justiça tem sempre que prevalecer", concluiu.

 

 

 

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