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Reino Unido de novo confinado em plena "explosão de casos de Covid-19"

Áudio 09:58
Boris Johnson anunciou um novo confinamento durante seis semanas.
Boris Johnson anunciou um novo confinamento durante seis semanas. AP - Matt Dunham
Por: Lígia ANJOS
14 min

Mais de 50 milhões de britânicos estão confinados em casa desde esta quarta-feira, 6 de Janeiro, para conter o contágio da Covid-19 no Reino Unido. 

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O primeiro-ministro britânico anunciou esta segunda-feira, 4 de Janeiro um novo confinamento nacional de seis semanas para travar a propagação da nova variante. Nos últimos dias, a Inglaterra registou quase 60 mil novos casos de Covid-19 diários.

"Está claro que juntos devemos tentar travar a propagação desta nova variante da Covid-19. O nosso país precisa de um confinamento nacional e deve ser suficiente para deter a propagação enquanto as vacinas são administradas", afirmou Boris Johnson.

O primeiro-ministro britânico descreveu um "momento crítico" e disse serem necessárias medidas "fortes" para travar o avanço da nova variante do coronavírus, considerada mais infecciosa. 

Entre as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro britânico estão a passagem de todos os níveis escolares para ensino à distância e a obrigatoriedade do teletrabalho. As pessoas podem sair de casa para compras e para exercício físico.

Boris Johnson lembrou que os serviços de saúde ingleses estão sob pressão, mais do que em qualquer outro momento da pandemia num país que registou um aumento do número de internamentos 30% superior ao de semana passada.

"O primeiro-ministro tem tentado adaptar medidas de forma a não impor demasiadas restrições. Desde o aparecimento da nova variante, acho que tem tomado medidas certas. Até agora o confinamento era (aplicado) por zonas e agora alargado a todo o país", aponta Maguy Graça, enfermeira portuguesa a trabalhar no serviço de cuidados intensivos num hospital no sul de Inglaterra.

 Maguy Graça observa uma explosão de novos casos desde o aparecimento da nova variante SARS-COV 2, "o hospital foi obrigado a reorganizar-se em duas zonas: as zonas verdes, onde as pessoas não estão infectadas com Covid-19, e as zonas vermelhas com pacientes infectados com o novo coronavírus", descreve.

Uma das grandes problemáticas é a falta de profissionais de saúde para cuidarem dos pacientes que requerem um acompanhamento permanente, "formar enfermeiros para trabalhar em cuidados intensivos demora muito tempo. Neste serviço temos duas áreas diferentes; os pacientes em cuidados intensivos com e sem Covid-19". 

Com o aumento de hospitalizações, o dia-a-dia no meio hospitalar chega a ser extenuante. "Estamos a toda a hora a monitorizar pacientes e temos de ser capazes de agir rápido, caso alguma coisa aconteça. A minha maior dificuldade é saber que, por vezes, não posso dar o cuidado que quero aos meus pacientes", lamenta.

O elevado número de doentes a dar entrada nos serviços de cuidados intensivos obriga os hospitais a tomar medidas fora do habitual, por exemplo, "pedem-nos para cuidar de dois ou três pacientes em vez de um, o normal. Temos tido reforço de enfermeiros de recobro ou que trabalham em blocos operatórios", uma ajuda indispensável, apesar da necessidade "de os supervisionar".

No campo dos profissionais, não é fácil assistir diariamente à explosão de casos de Covid-19 e ao consequente aumento de mortes, "não é fácil e mesmo quando não estamos a trabalhar, estamos sempre a pensar na dificuldade desta situação que estamos a viver". Apesar do excesso de trabalho e da luta permanente para salvar vidas, existe uma responsabilidade que prevalece, "dei a mão a pessoas que foram entubadas e disse-lhes que íamos tomar conta deles. Esses momentos ficam connosco porque prometemos fazer tudo para que as pessoas melhorem e temos medo que isso não vai acontecer", explica Maguy Graça, uma das muitas enfermeiras na linha frente ao combate à pandemia.

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