Convidado

Covid-19: Hospital da capital de Cabo Verde com “algum sinal de sobrecarga”

Áudio 13:21
Jorge Noel Barreto, Director Nacional da Saúde em Cabo Verde. Ministério da Saúde na Cidade da Praia, na Ilha de Santiago. 14 de Abril de 2021.
Jorge Noel Barreto, Director Nacional da Saúde em Cabo Verde. Ministério da Saúde na Cidade da Praia, na Ilha de Santiago. 14 de Abril de 2021. © Carina Branco/RFI

Cabo Verde tem registado valores máximos diários de novos infectados por Covid-19 na última semana. O Director Nacional da Saúde, Jorge Noel Barreto, explicou à RFI que “já há algum sinal de sobrecarga sobretudo no Hospital Agostinho Neto", tendo sido reactivado o Hotel Escola para acolher pacientes se necessário. A situação também “não é favorável” nas ilhas do Sal, Boa Vista e São Vicente. Cerca de 5.400 pessoas já receberam a primeira dose da vacina no arquipélago.

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Em Cabo Verde, a última semana tem registado valores máximos diários de novos infectados. As atenções estão viradas para a Cidade da Praia, na ilha de Santiago, mas também para as ilhas do Sal, Boa Vista e São Vicente.

O Director Nacional da Saúde, Jorge Noel Barreto, explicou à RFI que “já há algum sinal de sobrecarga sobretudo no Hospital Agostinho Neto", tendo sido reactivado o Hotel Escola para acolher pacientes se necessário.

Nós, neste momento, não temos uma situação favorável, sobretudo na Praia, no Sal, Boa Vista e em São Vicente. Nós temos estado a fazer a gestão da melhor forma possível com os recursos que temos. De facto, já há algum sinal de sobrecarga sobretudo aqui no hospital da Praia, o Hospital Agostinho Neto. Houve a necessidade de reactivação do Hotel Escola da Escola de Hotelaria e Turismo que fica na Cidade da Praia e que tinha sido utilizado no ano passado para internamento de pessoas que não tinham condições em casa para fazer o isolamento e também de pessoas que precisavam de ter um seguimento mais apertado pela equipa de saúde”, afirmou Jorge Noel Barreto.

Em plena campanha para as eleições legislativas de 18 de Abril, o Governo anunciou um reforço da fiscalização do cumprimento das medidas sanitárias, mas sente-se um “relaxamento das pessoas” apesar de todas as campanhas de sensibilização.

De facto, tem havido um relaxamento das pessoas em relação ao cumprimento das medidas de prevenção apesar de todas as actividades de sensibilização e de chamadas de atenção das pessoas. Tem que haver mais cumprimento e as pessoas têm que estar mais atentas a essas medidas de prevenção, mas também tem que haver um pouco mais de fiscalização do cumprimento das medidas. Os estabelecimentos comerciais têm que obedecer às regras para também ajudar no combate a esta doença”, afirmou.

Entretanto, cerca de 5.400 pessoas receberam a primeira dose da vacina. “Oitenta e oito por cento dos profissionais de saúde que estavam previstos no plano de vacinação já foram vacinados e mais de 1.000 já receberam a segunda dose”. Também já foram vacinados “cerca de 300 bombeiros e pessoal da protecção civil” e mais de 1000 pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.

O processo de vacinação em Cabo Verde até este momento tem estado a decorrer bem de forma geral. Não temos tido constrangimentos maiores. A campanha de vacinação foi iniciada sem problemas porque conseguimos distribuir as vacinas pelas ilhas de forma que as ilhas pudessem começar a campanha no mesmo dia”, descreveu Jorge Noel Barreto.

Cabo Verde está a fazer tudo para ter vacinas para que todas as pessoas possam ser vacinadas” e a adesão está a ser bastante significativa.

Jorge Noel Barreto apontou, ainda, que a vacinação de 70% dos cabo-verdianos ainda este ano vai estar “completamente condicionada ao acesso às vacinas”.

Numa altura em que a OMS alertou que apenas 2% das vacinas mundiais foram administradas em África, o Director Nacional da Saúde admite que a iniciativa Covax de distribuição de vacinas “não é suficiente” ainda que seja “uma boa proposta permitir que esses países vacinem 20% da sua população”. Depois, cabe aos diferentes países procurarem alternativas complementares.

Por outro lado, Jorge Noel Barreto lembra que além do tempo necessário para produzir vacinas seguras, “a disponibilidade de vacinas” a nível mundial tem sido o maior constrangimento porque “os fabricantes não têm capacidade para responder à demanda à escala global”.

Oiça a entrevista completa neste programa CONVIDADO.

Convidado Jorge Noel Barreto

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