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"Presidente prefere dissolver Parlamento do que entregar poder ao PAIGC"

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Novo executivo guineense, após tomada de posse na segunda-feira, 26 de Abril de 2021.
Novo executivo guineense, após tomada de posse na segunda-feira, 26 de Abril de 2021. © https://www.facebook.com/presidentesissoco

Os novos membros do governo guineense tomaram posse esta segunda-feira. Durante a cerimónia, o chefe de Estado garantiu que "a maioria parlamentar, no poder, vai manter-se até ao fim da presidência". 

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Vários membros do Executivo foram substituídos nas pastas da Educação, Saúde, Recursos Naturais e Energia, transportes e Comunicações, Agricultura e Desenvolvimento Rural e Comércio e Indústria.

"O impacto desta medida e a aproximação entre o PAICG e PRS vão sentir-se na primeira sessão parlamentar", sublinha o analista político guineense Rui Jorge Semedo.

"Ainda não é possível perceber se existe alguma situação de anormalidade ou de coesão. O PRS através um dos seus deputados já se tenha posicionado, pedindo satisfações ao Presidente quanto à exoneração de um dos ministros do PRS", descreve o analista. Pouco a pouco as coisas "estão a vir à tona e com o início da sessão parlamentar a situação vai ficar mais clara; se vai ser possível criar um clima de estabilidade na base de apoio do governo ou se vai surgir uma nova crise de governação na Guiné-Bissau", acrescentou Rui Jorge Semedo.

"O clima no país é estável. A Guiné-Bissau tem hoje um governo que não resultou das eleições. O Presidente da República supostamente preferirá dissolver o Parlamento do que entregar o poder ao PAIGC, fazendo aliança com o PRS", aponta.

Umaro Sissoco Embaló convidou as mulheres a integrarem a vida política, para seguir o exemplo da ministra Suzi Barbosa, embora o novo governo ainda esteja longe de atingir uma paridade significativa. "A Suzi chegou onde chegou porque teve uma família estruturada e teve uma educação de base. Qualquer mulher que tenha este acesso chegará lá. Não acredito nesse discurso do Presidente da República. Acredito num investimento na educação, na sociedade guineense e na criação de condições efectivas para que todos, independentemente da origem social, tenham a mesma oportunidade", defende o analista.

O chefe de Estado guineense afirmou que não pode haver uma outra maioria parlamentar. Segundo o analista Rui Jorge Semedo, "as palavras do Presidente também são lei".

"Num contexto de inconstitucionalidade, num contexto em que o Presidente foi apoiado pelos militares para assumir o poder, num contexto em que os próprios deputados não respeitam o regime do Parlamento, o Presidente tem todos os poderes para dizer o que quer porque as suas palavras também são a lei. Num contexto democrático onde a lei e o respeito pelo Estado Direito está acima de tudo nenhum Presidente iria proferir este tipo de discurso", alerta.

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