Democracia e paz estão "em risco" na Colômbia

Áudio 08:19
Manifestações não têm cessado na Colômbia.
Manifestações não têm cessado na Colômbia. © REUTERS - Nathalia Angarita

Miguel Barreto Henriques, diretor do Observatório da Construção da Paz e professor na Universidade de Bogotá, considera que a democracia e a paz "estão em risco" na Colômbia, com a possibilidade da imposição "autoritária" de um estado de sítio por parte do Governo de Ivan Duque.

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Há dez dias que os protestos na Colômbia têm levado à rua milhares de pessoas que se manifestam contra o Governo do Presidente Ivan Duque encontrando uma resposta "musculada" por parte das autoridades. Os confrontos entre polícia e manifestantes já fizeram 26 mortos e mais de 1.500 feridos.

Miguel Barreto Henriques é diretor do Observatório da Construção da Paz e professor de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade de Bogotá Jorge Tadeo Lozano de onde falou para a RFI, explicando a situação que se vive atualmente no país.

"Tem havido imensa repressão sobre os manifestantes. Dezenas de mortos e desaparecidos, mulheres que têm sido capturadas e violadas. Estamos frente a uma situação muito grave. A própria comunidade internacional tem de olhar para a Colômbia onde a democracia e a paz estão em risco", afirmou o académico.

A repressão dos manifestantes na Colômbia tem levado organizações internacionais como a ONU a pedirem às autoridades que permitam o livre protesto dos cidadãos, mas o Governo continua a apostar numa resposta forte, com mais de 47.500 membros das forças de ordem destacados em todo o país.

Segundo Miguel Barreto Henriques, o reforço das forças de ordem e endurecimento da repressão, podem levar o Governo a declarar mesmo o "estado de sítio" no país.

"É muito peocupante o discurso dos sectores estatais e governamentais que continuam a desenvolver uma narrativa que é a polícia que se está a defender dos manifestantes, de que não há nenhum atropelo à lei e de que não há desaparecidos. Está no ar a possibildiade de o Governo declarar um Estado de sítio, o que seria outra posição de reação musculada  e autoritária", defendeu.

Na rua, e ao contrário do que aconteceu noutras manifestações na sociedade civil colombiana, há "uma grande mobilização" por parte de diferentes setores.

"O que me parece que é diferente é um condenar da população daquilo que está a acontecer, já há uma grande mobilização que vai para além do que é tradicionalmente a sociedade civil organizada. Neste momento há uma expressão imensa de estudantes de todas as universidades", descreveu Miguel Barreto Henriques.

Em causa está agora o Governo de Ivan Duque, que o académico português radicado na Colômbia descreve como sendo de "extrema-direita".

"Este é um Governo que pertence ao centro-democrático, mas que tem muito pouco de centro e de democrático, é claramente um partido de extrema-direita, que tem uma visão da democracia e do Estado em que a democracia se limita a poder votar nas eleições, mas não há direito a manifestações", concluiu.

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