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"Retoma das relações entre a França e o Ruanda foi precipitada"

Áudio 08:38
Innocent Niyonsenga, tradutor ruandês.
Innocent Niyonsenga, tradutor ruandês. © Innocent Niyonsenga

Na quinta-feira, 27 de Maio, em visita ao Ruanda, o Presidente francês Emmanuel Macron reconheceu "as responsabilidades" da França no genocídio de 1994. "É importante reconhecer que o mundo inteiro não ajudou o Ruanda, mas Emmanuel Macron não falou do papel que teve da França", aponta o ruandês Innocent Niyonsenga.

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O Presidente francês Emmanuel Macron reconheceu "as responsabilidades" da França no genocídio de 1994, em particular por ter optado durante "muito tempo pelo silêncio em vez da verdade".

"As declarações do Presidente francês foram simbólicas. Ele reconheceu que existe uma certa responsabilidade da França. É muito significativo reconhecer que o mundo inteiro não ajudou o Ruanda, contudo Macron não falou do papel que teve a França", defendeu o tradutor ruandês. Innocent Niyonsengachegou em 2012 a Portugal com o estatuto de refugiado político e desde Junho de 2020 é também cidadão português.

"Analisámos o relatório Duclert para perceber por que motivo a França disse que tinha responsabilidades pesadas e para entender o papel da França no genocídio contras tutsi no Ruanda", esclarece.

O tradutor e antigo investigador no Tribunal Penal Internacional lembra que "o único objectivo do relatório Duclert, publicado em Março de 2021, foi restabelecer relações entre os dois país. A França mudou de discurso, o Ruanda mudou de discurso para retomar relações entre os dois países. Não é mau restabelecer as relações, mas não se deve fazer a qualquer custo. Foi muito precipitado".

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