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Activista russa em Portugal fala de "choque" depois de autoridades passarem dados à Rússia

Áudio 09:07
O regresso do opositor Alexei Navalny à Russia em janeiro de 2021 levou à realização de manifestações contr a asua detenção em várias capitais mundiais, incluindo Lisboa.
O regresso do opositor Alexei Navalny à Russia em janeiro de 2021 levou à realização de manifestações contr a asua detenção em várias capitais mundiais, incluindo Lisboa. Odd ANDERSEN AFP/File

A empresária russa, Ksenia Ashrafullina, de 36 anos está instalada há 8 anos em Portugal e em janeiro organizou uma manifestação de apoio ao opositor Alexei Navalny em Lisboa, tendo-se apercebido que os seus dados tinham sido enviados pela Câmara Municipal de Lisboa à embaixada da Rússia em Portugal e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. 

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"É um choque, uma facada nas costas. Algo que nos acontece sem nos avisarem, às escondidas. Passaram informação sensível, toda a minha vida, tudo. Mesmo se os russos quisessem essa informação, teriam de ter trabalhado um pouco para a ter. A Câmara Municipal de Lisboa passou tudo ao Ministério e à Embaixada", afirmou Ksenia Ashrafullina em entrevista à RFI.

Esta empresária russa "apaixonou-se" por Lisboa há mais de 8 anos e desde aí vive em Portugal. Considera que é um país que tem "muitas coisas positivas" e onde "se vive bem", reforçando que não tinha noção que algo assim pudesse acontecer.

Após a denúncia feita pelo jornal Expresso há uma semana do caso de Ksenia Ashrafullina, em pleno período de pré-campanha autárquica em Portugal, a oposição pediu a demissão do presidente da câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Sabe-se agora que os contactos de outros manifestantes em temas sensíveis como protestos contra Israel, contra a China e contra a Venezuela foram também passados às autoridades desses países. No total, os contactos dos organizadores de 52 manifestações na capital portuguesa foram passados às autoridades dos países visados.

"O Estado russo já envenenou várias pessoas. Não só opositores políticos, mas também poetas. Depois podem tentar pôr-nos na prisão de um dia para o outro e fazer pressão sobre os nossos familiares, o que é o pior", sublinhou Ksenia Ashrafullina.

A empresária pondera agora se poderá ou não regressar à Rússia em segurança e diz que com a amplificação deste episódio, está a sentir-se "menos despreocupada".

Ksenia Ashrafullina, assim como dois outros organizadores da manifestação de janeiro, querem processar a Câmara Municipal de Lisboa, estando agora a escolher um advogado num processo que pode "demorar vários anos" e "custar milhares de euros".

A Câmara Municipal de Lisboa está a investigar os seus procedimentos e o encarregado de Protecção de Dados na autarquia vai ser exonerado.

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