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"Quero ajudar o país a acabar com as assimetrias sociais”

Áudio 07:14
Manuel do Rosário é candidato às eleições presidenciais marcadas para 18 de Julho.
Manuel do Rosário é candidato às eleições presidenciais marcadas para 18 de Julho. © Manuel do Rosário

Manuel do Rosário é candidato independente às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe marcadas para o próximo dia 18 de Julho  enas quais participam 19 candidatos. Em entrevista à RFI, o candidato diz querer " ajudar o país a acabar com as assimetrias sociais".

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Porque é que decidiu voltar a apresentar-se ao cargo de chefe de Estado de São Tomé e Príncipe?

Eu decidi candidatar-me pela segunda vez ao cargo de Presidente de São Tomé e Príncipe porque acredito em mim e nas minhas acções. É um país com potencialidades.

Serei capaz de dar outros passos qualitativos que possam servir melhor toda a população de São Tomé e Príncipe e de igual modo os que se encontram na diáspora, que pretendem visitar a sua terra natal, mas que não o podem fazer porque as condições reunidas não lhes permitem. Por isso, preferem ficar lá.

O senhor afirma “querer ajudar o país a acabar com as assimetrias sociais”. Qual é que é o seu projecto para São Tomé e Príncipe e para a diáspora? 

Através da magistratura de influências, não sendo eu um Presidente de gabinete, junto ao governo, através de um consenso, poderei contribuir em grande medida, particularmente nas parcerias internacionais que o Presidente é capaz de estabelecer. Poderia alavancar o país, apostando em três principais áreas.

Uma delas é a aposta no turismo e para isso tinha de encontrar também parcerias para o alargamento do aeroporto e modernizá-lo de forma que a capacidade de aterragem das grandes aeronaves possa ser frutífera.

A outra área é uma aposta verdadeira nos mares. São Tomé e Príncipe poderá dar passos mais brilhantes e significativos.

Quanto à terceira, no país chove copiosamente. É necessário racionalizar a agricultura e conservar os produtos para que, nos momentos em que a sua produção seja menos quantitativa, possamos tê-los a todo o momento a um preço equitativo.

O abuso sexual, a violência doméstica, o consumo de droga e álcool e a corrupção são flagelos que atingem o país. O que pode fazer o chefe de Estado para resolver estes problemas?

Teria de reunir com o sector da Justiça e também com o primeiro-ministro, os Presidentes antigos e inclusive os candidatos que também têm os seus projectos e encontrarmos alguma saída para esta situação, mas, entretanto, tendo em conta esta questão, principalmente do abuso sexual de menores, atendendo à faixa etária, as crianças são totalmente desprovidas de qualquer consciência e os adultos usam-nas. Se a lei permitir, usaria o mecanismo de introdução de uma castração química.

Sobre a violência doméstica, temos de combatê-la e o combate está relacionado com a pobreza. O que temos de fazer fundamentalmente em primeiro lugar é tentar reduzir a pobreza.

São Tomé e Príncipe é considerado como um dos países mais pobres do mundo e também como um dos mais endividados, sendo que 50% do Produto Interno Bruto (PIB) é assegurado pela comunidade internacional. A situação foi agudizada pela pandemia da Covid-19. Que papel deve exercer o chefe de Estado para reduzir esta dependência?

É claro que desde a independência, em 1975, o país sempre dependeu da ajuda externa. Com isto, o país tem de estabelecer relações/parcerias credíveis, aquelas que podem realmente financiar projectos com rendimentos a longo prazo de modo que possamos sair desta pobreza. 

Eu diria também que é necessário que os próprios governantes passem a governar para o povo e não para si. 

A potencialidade deste país não é para estar no nível em que se encontra. Temos, de facto, de apostar. Temos de ter investidores que apostem seriamente. 

Vamos considerar como referi antes, uma aposta, por exemplo, no aeroporto, num porto de águas profundas e numa utilização piscatória que satisfaça os interesses da população de modo que se possa comercializar o pescado.  Tem de haver este conjunto de acções, com pessoas conscientes que pensem em trabalhar para o povo. Só assim o país deixará de depender da ajuda externa, reduzindo assim a sua pobreza.

Em São Tomé e Príncipe, muitos dos poderes estão na mão do primeiro-ministro. Se for eleito chefe de Estado, a sua presidência será marcada pelas boas relações com o chefe do executivo, mesmo na eventualidade de este poder ser de outra família partidária?

O maior problema que nós enfrentamos é a questão das contradições que são deparadas perante os órgãos de estado ou partidários. É uma divergência. 

Se um partido está no governo, os outros deixam de ser irmãos, portanto, esta é uma mentalidade que devemos corrigir. Até na nossa sigla costumamos dizer São Tomé e Príncipe - somos todos primos, somos todos parentes - Não deveria haver essa divisão a ponto que crie certa discrepância, o que provoca toda essa desunião e cataliza maior pobreza porque só vive o grupo que estiver no poder.

Eu conheço bem quem é o primeiro-ministro que nós temos. É um individuo de diálogo. Eu terei um ano para trabalhar com este primeiro-ministro e espero realmente ouvi-lo e encontrarmos sempre os melhores consensos e começarmos já a dar os primeiros passos antes da eleição de 2022 para a formação do novo governo.

Espero mesmo já com este primeiro-ministro termos diálogos, consenso e partilhas de ideias para neste primeiro ano de governação poder já marcar uma série de actividades. 

Não podia deixar o país como está. É uma pobreza extrema e com este tipo de governação são as crianças, jovens, adultos, velhos, deficientes físicos, todo o mundo que sofre sem definição ou alguma conclusão.

Acredita que será o próximo Presidente da República de São Tomé e Príncipe?

Acredito, razão pela qual me candidatei.

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