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"Temos de fazer crescer a economia de São Tomé e Príncipe"

Áudio 06:31
Olinto Neves, candidato presidencial às eleições em São Tomé e Principe.
Olinto Neves, candidato presidencial às eleições em São Tomé e Principe. © Facebook

Olinto Neves é candidato independente às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe marcadas para o próximo dia 18 de Julho e nas quais participam 19 candidatos. Em entrevista à RFI, o candidato defende que é preciso "fazer crescer a economia de São Tomé e Príncipe".

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RFI: Porque é que decidiu candidatar-se ao cargo de Presidente da República de São Tomé e Príncipe?

Olinto Neves: Numa reflexão feita ao nível do país, nas passeatas feitas, devido àquilo que pude escutar, ganhei essa força, no sentido de candidatar-me e fazer o melhor para o país.

Refere que a sua missão é “unir o povo são-tomense e alavancar a economia do país”. Qual é que é o seu projecto para São Tomé e Príncipe e para a diáspora?

Referente à diáspora, um dos aspectos fundamentais é a inclusão social. A inclusão visa a abertura de São Tomé e Príncipe que vai coincidir com o meu segundo eixo que é o alavancamento do país, que passa por um crescimento económico, pela melhoria da Justiça e depois por um melhor ambiente para atrair os investidores para o país.

Para isso é necessário fazer a redução dos impostos de forma que os estrangeiros e os cidadãos são-tomenses que estão na diáspora possam investir em São Tomé e Príncipe de forma que criem mais riqueza, mais incentivo para que os são-tomenses possam sentir a sua terra natal.

O abuso sexual, a violência doméstica, o consumo de droga e álcool e a corrupção são flagelos que atingem o país. O que pode fazer o chefe de Estado para resolver estes problemas?

Enquanto Presidente, usarei toda a magistratura, toda a influência possível, para que os abusos sexuais, a violência doméstica e a corrupção possam enquadrar aquilo que mais precisamos. Essa situação de abuso sexual, a lei existe e está clara. Falta é implementá-la com maior rigor para que o punidor seja pago por aquilo que faz.

Nós notamos no país esbanjamentos, projectos fúteis, sem cabimento e todo esse processo, ninguém assume e ninguém paga nada pelos erros cometidos. É daí que, sendo eleito no dia 18, irei ter uma conversa clara com os órgãos que sustentam o sistema para nós despirmos do que é mau e vestirmos o que é bom.

Não podemos ter um país em que há 46 anos nada é feito. Temos de primar São Tomé e Príncipe com rumo àquilo que o norteia. Todas as pessoas que falharem, cada um deve assumir os seus actos.

São Tomé e Príncipe é considerado como um dos países mais pobres do mundo e também como um dos mais endividados, sendo que 50% do Produto Interno Bruto (PIB) é assegurado pela comunidade internacional. A situação agravou-se com a pandemia da Covid-19. Que papel deve exercer o chefe de Estado para reduzir esta dependência?

Por isso é que eu disse que é necessário o alavancamento do país. Temos de fazer crescer a economia. Para isso, temos um espaço aéreo, uma terra e recursos humanos. Agora é preciso saber implementá-los tendo em conta a questão da pandemia que fragilizou ainda muito mais.

Temos de começar a implementar novas ideias, no sentido de dar um sinal ao país para que as pessoas possam sentir que, na realidade, algo está a ser feito.

Sendo o Presidente, estarei presente. Não quero ser um presidente teórico. A minha perspectiva é ser um presidente prático no sentido de interagir com o governo para vermos porque é que a linha de força estagnou e qual é a solução.

Temos de ver a solução para o problema e deixarmos todas essas querelas que existem para nós primarmos aquilo que nos norteia.

Em São Tomé e Príncipe, muitos dos poderes estão na mão do primeiro-ministro. Se for eleito chefe de Estado, a sua presidência será marcada pelas boas relações com o chefe do executivo, mesmo na eventualidade de este poder ser de outro partido?

O Presidente é de todos os são-tomenses. O que deve existir é um clima de confraternização entre os dois órgãos. O Presidente tem de ter o olho no povo e ter o governo para associar-se.

Aquilo que rege a nossa Constituição é que o governo tem a sua baliza de execução e o Presidente também. A Constituição rege as balizas que cada um deve ter.

Obviamente que o Presidente deve interagir com o governo e desbravar junto aos parceiros bilaterais e aos homólogos para que o governo possa cultivar e darmos passos.

Estar em divergência com o governo não é a minha filosofia porque temos de pensar no país e só assim estaremos a dar passos para que São Tomé e Príncipe ganhe. Com esses órgãos juntos quem ganha é o país.

Acredita que será o próximo Presidente da República de São Tomé e Príncipe?

Eu disse há uns dias que há os pequenos clubes e os grandes clubes. Ninguém entra em campo para jogar para perder. Muitas vezes, os pequenos clubes chegam a fazer bons jogos e grandes clubes acabam por perder.

Eu estou confiante porque eu tenho passado a minha ideologia política e aquilo que pretendo fazer caso seja eleito.

Os eleitores têm acatado as decisões saídas das minhas passeatas. O governo publicou no seu documento que não deveria haver um aglomerado de pessoas devido à pandemia. A minha estratégia é de casa em casa no sentido de passar melhor a mensagem, de forma que as pessoas entendam aquilo que estamos a passar.

Só no dia 18 é que podemos dizer. A cadeira só é uma e somos 19 candidatos. Vamos ver.

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