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"Tudo farei para acabar com a desigualdade social"

Áudio 07:40
Moisés Viegas é candidato presidencial às eleições de 17 de julho em São Tomé e Príncipe.
Moisés Viegas é candidato presidencial às eleições de 17 de julho em São Tomé e Príncipe. © Moises Viegas

Moisés Viegas é candidato independente às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe marcadas para o próximo dia 18 de Julho e nas quais participam 19 candidatos. Em entrevista à RFI, o candidato garante "tudo farei para acabar com a desigualdade social".

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RFI: Porque é que decidiu apresentar a sua candidatura às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe?

Moisés Viegas: Eu decidi candidatar-me ao cargo de Presidente da República porque, olhando para o contexto político-económico e social de São Tomé e Príncipe, chegamos rapidamente à conclusão que há uma geração de políticos que nos dirigiu durante 46 anos de independência e essa classe política falhou. O povo são-tomense reclama pela mudança, por outra forma de fazer política, por uma nova abordagem e novos actores políticos. Quando isso acontece, naturalmente, surgem novos líderes e é nessa perspectiva que eu surjo como um novo líder político e como candidato às eleições.

Afirma que será o Presidente que os são-tomenses precisam. Qual é que é o seu projecto para São Tomé e Príncipe e para a diáspora?

É preciso olhar para São Tomé e Príncipe numa perspectiva real. Hoje, nós vivemos uma desigualdade social que é gritante. Pessoas que têm tudo e pessoas que nada têm e precisam. Eu entro nesta corrida como um candidato do povo, para ser Presidente da República dos 200 mil habitantes que somos. Nessa perspectiva, eu gostava de ser um Presidente que pudesse inspirar e renovar a esperança de todos os são-tomenses.

Hoje, um dos grandes problemas é que nós deixamos de acreditar no país, deixamos de acreditar nos líderes políticos e quando isso acontece o país é que paga, o povo é que paga. A minha candidatura representa a esperança para o menino da zona norte que precisa de uma oportunidade, mas não consegue porque o país não proporciona essa oportunidade.

Quando falo na desigualdade social, eu vou muito mais longe, penso em alguém que trabalhou toda uma vida para o desenvolvimento do país e, no final da vida, aposentada recebe 600 mil dobras. Eu não aceito esse São Tomé e Príncipe, esse país não é viável para mim, para os meus vizinhos, nem para nenhum são-tomense. Enquanto Presidente da República, dentro da minha magistratura de influência e os poderes que a Constituição me confere, tudo farei para acabar com a desigualdade social.

O abuso sexual, a violência doméstica, o consumo de álcool e droga e a corrupção são flagelos que atingem o país. O que pode fazer o chefe de Estado para resolver estes problemas?

O chefe de Estado tem de ser um exemplo, um líder que motiva. É preciso olharmos para esses flagelos e percebermos qual é o problema. Hoje temos a questão do abuso sexual de forma gritante, é preciso que os homens do Estado sejam exemplo, para que possam influenciar outras pessoas. Em São Tomé e Príncipe, os homens e as famílias precisam de orientação. Se o próximo Presidente da República tiver essa capacidade de motivar, inspirar e orientar, muitos dos problemas que estamos a experienciar serão minimizados.

São Tomé e Príncipe é considerado como um dos países mais pobres do mundo e também como um dos mais endividados, sendo que 50% do Produto Interno Bruto (PIB) é assegurado pela comunidade internacional. A situação foi agudizada pela pandemia da Covid-19. Que papel deve exercer o chefe de Estado para reduzir esta dependência do país com o exterior?

O Presidente, através da sua magistratura de influência, tem de motivar, tem de inspirar o empreendedorismo nacional. É preciso que o Presidente da República, em sintonia com o governo, deve apoiar a criação de um banco de fomento para o desenvolvimento do país. Esse banco de fomento deve selecionar empreendedores com ideias inovadoras e criar mecanismos para que esses empreendedores recebam financiamento. Enquanto o sector privado for buscar dinheiro aos bancos comerciais, onde a taxa varia entre os 19% e os 21%, não temos como promover o sector privado.

É preciso olharmos para as nossas relações internacionais. Nós precisamos de lavar a nossa imagem e precisamos de nos posicionar enquanto país. Precisamos de produzir mais para evitar estarmos sempre a estender a mão a outras pessoas. Temos de atrair homens de negócios para São Tomé e, enquanto homens de Estado, criarmos as condições para que esses negócios se concretizem e criem emprego para os jovens e tragam dinheiro para as famílias.

Eu acredito que conseguiremos tirar São Tomé e Príncipe da situação em que está.

Em São Tomé e Príncipe, muitos dos poderes estão na mão do primeiro-ministro. Se for eleito chefe de Estado, a sua presidência será marcada pelas boas relações com o chefe do executivo, mesmo na eventualidade de este poder ser de outro partido?

Eu sou um candidato independente, não me identifico com qualquer força política em São Tomé e Príncipe. Eu concorro para ser Presidente da República de São Tomé e Príncipe, pois a minha missão é unir a família são-tomense e diminuir a crispação política. 

Um Presidente da República tem de ser dialogante. Se o Presidente da República e o primeiro-ministro, que são dois homens do Estado, tiverem diálogo constante, provavelmente, não teremos os problemas que temos hoje. Um dos grandes problemas que temos hoje é que os homens do Estado não conversam.  É preciso que o Presidente da República e o chefe do executivo tenham um diálogo constante para tirarem o país da situação na qual se encontra.

Acredita que será o próximo Presidente da República de São Tomé e Príncipe?

Naturalmente. Porque é que eu acredito que serei o Presidente da República de São Tomé e Príncipe? Porque há um povo que clama pela mudança, pela nova forma de fazer política e que espera por uma mensagem nova. Nós temos essa mensagem nova, nós representamos aquilo que o povo são-tomense espera. Por isso é que dizemos que agora é a nossa vez,  nós somos São Tomé.

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