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"Vou iniciar o processo de transformação de São Tomé e Príncipe''.

Áudio 07:33
Elsa Garrido é a candidata do partido MSD-Partido os Verdes às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe marcadas para 18 de Julho.
Elsa Garrido é a candidata do partido MSD-Partido os Verdes às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe marcadas para 18 de Julho. © Elsa Garrido

Elsa Garrido é a candidata do partido MSD-Partido os Verdes às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe marcadas para 18 de Julho e nas quais participam 19 candidatos. Em entrevista à RFI, a candidata garante que vai “iniciar o processo de transformação de São Tomé e Príncipe''.

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RFI: Porque é que decidiu apresentar a sua candidatura às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe?

Elsa Garrido: Porque eu represento essa geração nova de líderes africanos- líderes em São Tomé e Príncipe- porque penso que o actual sistema político e os seus actores estão no fim das suas carreiras. Já não temos visão, já não temos boas ideias, a juventude está frustrada, precisa de novas esperanças e principalmente de um chefe de Estado, de uma Presidente da República,  que possa representar com dignidade o povo são-tomense.

É neste contexto que, enquanto presidente do partido os Verdes,  decidi apresentar a minha proposta às presidenciais, com o intuito de iniciarmos o processo de transformação de São Tomé e Príncipe. 

Fala num novo rumo político. Qual é que é o seu projecto para São Tomé e Príncipe e para a diáspora?

Dinamizar, com muita insistência, a cooperação internacional. Eu penso que as relações internacionais são completamente mornas, não há actividade. É preciso reforçar as nossas cooperações com os parceiros habituais e  abrir também para outros países.

Eu, eleita como Presidente da República, vou reforçar a cooperação entre São Tomé e Príncipe e outros países que estão bem avançados nas questões das mudanças climáticas, resiliência. Nós estamos num planeta em que precisamos de ter ideias, precisamos de inovar para proteger a nossa população das questões ligadas às mudanças climáticas.

No nosso país não sentimos que o Presidente da República esteja sensível com estas questões que eu considero extremamente importantes. Como sabe, eu venho do mundo humanitário- apesar de ter co-fundado o partido os Verdes de São Tomé e Príncipe- em 2017- são 15 anos de vida humanitária. Sou activista social, sou activista ambiental e dos direitos humanos, por isso será uma presidência do povo. 

O abuso sexual, a violência doméstica, o consumo de álcool e droga e a corrupção são flagelos que atingem o país. O que pode fazer o chefe de Estado para resolver estes problemas?

É importante dizer que abuso sexual de menores, consumo de álcool e drogas, não é uma especificidade apenas de São Tomé e Príncipe. É um flagelo que assola o mundo inteiro. Em São Tomé e Príncipe deveremos fazer melhor análise para perceber o que são as causas. O que são as causas? O desemprego. Cerca de 44% da juventude está desempregada, sabendo que 67% da população tem menos de 25 anos. 

São Tomé e Príncipe não tem entretenimento real para os jovens. Não temos bibliotecas, com escolhas diversas para a leitura. Não temos escolas de música, não temos um parque aquático. As pessoas, os jovens, encontram-se em situação de frustração e alguns recorrem a essas substâncias, talvez, para se distrair e acaba por ser uma dependência. 

Quanto ao abuso sexual de menores, o nível de impunidade que tem vivido o povo são tomense, penso eu, devia pura e simplesmente desaparecer. Uma sociedade não pode ser tolerante nessas questões de abuso sexual de menores e violências domésticas. 

O Presidente da República num regime semi-presidencialista não tem um poder executivo mas pode influenciar através das suas atitudes, promover palestras e também encorajar os tribunais, a Justiça a reformar as leis, de modo a que as lei propostas sejam dissuasivas.

Relativamente à corrupção?

É o combate que estou a fazer neste momento. A minha candidatura está a alertar o povo são-tomense e o povo não se pode permitir de escolher perfis que tenham passivos de corrupção. Precisa de escolher um perfil como o da Elsa Garrido, neutra e que não está inserida em nenhum caso de corrupção, nem de suspeita de corrupção.

A comunidade internacional  não vai poder continuar a apoiar São Tomé e Príncipe, sabendo que o povo vai escolher novamente alguém que está nesta linha de corrupção. 

A reforma da Justiça é extremamente importante e aí o Presidente da República poderá intervir, encorajar, para que essa reforma seja algo de concreto. Não podemos ter uma Justiça a duas velocidades. Eu, enquanto candidata desta nova geração- tenho 44 anos- estou a fazer essa proposta de transformação do nosso país do topo à base. 

 

 

São Tomé e Príncipe é considerado como um dos países mais pobres do mundo e também como um dos mais endividados, sendo que 50% do Produto Interno Bruto (PIB) é assegurado pela comunidade internacional. A situação foi agudizada pela pandemia da Covid-19. Que papel deve exercer o chefe de Estado para reduzir esta dependência do país com o exterior?

Enquanto Presidente da República eleita vou estabelecer contactos com os nossos parceiros e ver qual é a possibilidade de São Tomé e Príncipe poder obter o perdão da dívida.

São Tomé e Príncipe é um país em vias de desenvolvimento  e não pode ter à sua cabeça uma carga tão elevada, porque isto pode provocar uma pequeno travão no seu percurso de desenvolvimento. 

Em São Tomé e Príncipe, muitos dos poderes estão na mão do primeiro-ministro. Se for eleito chefe de Estado, a sua presidência será marcada pelas boas relações com o chefe do executivo, mesmo na eventualidade de este poder ser de outro partido?

Eu sou um perfil que não tem contencioso com nenhum partido político em São Tomé e Príncipe. Eu venho da sociedade civil organizada e é este o interesse que o meu perfil suscita nas pessoas. 

O meu perfil é neutro, não me importo de trabalhar com qualquer governo. O mais importante para mim é o que os projectos adoptados, as ideias trazidas e as leis propostas devem ser em prol da maioria dos são-tomenses.

Não sou uma candidata com um passivo partidário ao ponto de ter ajustes de contas com qualquer partido político em São Tomé  Príncipe e nem com qualquer líder.  

 

 

Acredita que será o próximo Presidente da República de São Tomé e Príncipe?

Acredito que sim e, se tudo correr como está até agora, serei eleita na primeira volta. Eu confio no povo de São Tomé e Príncipe para fazer boas escolhas.

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