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Israel, a "Start-up Nation" onde nasceu o programa "Pegasus"

Áudio 09:51
Fundada em 2010, a NSO, empresa israelita especializada em sistemas de segurança informática é um paradigma daquela que é chamada a "Start-up Nation".
Fundada em 2010, a NSO, empresa israelita especializada em sistemas de segurança informática é um paradigma daquela que é chamada a "Start-up Nation". © JOEL SAGET AFP/arquivo

De acordo com uma investigação publicada nestes últimos dias por um consórcio de 17 órgãos de comunicação internacionais, responsáveis políticos, jornalistas e activistas do mundo inteiro têm sido espiados através do "Pegasus", um programa desenvolvido pela empresa israelita de novas tecnologias NSO. 

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Na lista dos possíveis clientes desta tecnologia alegadamente desenvolvida para combater o crime transnacional e o terrorismo, estão nomeadamente Marrocos, a Arábia Saudita e o México.

Fundada em 2010, a NSO, empresa israelita especializada em sistemas de segurança informática é um paradigma daquela que é chamada a "Start-up Nation". No espaço de 50 anos, Israel tornou-se um importante pólo de desenvolvimento das tecnologias de ponta. Com 7 mil empresas nesse sector e receitas de 9 mil milhões de dólares em 2019, o país distingue-se em vários domínios, a cibersegurança, a inteligência artificial, a aplicação da "tech" no sector agro-alimentar ou ainda na área militar.

Uma estratégia económica e política que analisamos com Guilherme Marques da Fonseca, economista especializado em estratégia e inovação, que começa por esclarecer que a existência da tecnologia do "Pegasus" e a sua utilização para fins de espionagem não são uma novidade.

"Isto é um assunto que vem de trás. Sabemos que a NSO está a fazer e sempre fez este tipo de operações, o próprio governo de Israel veio público dizer que este tipo de tecnologia ou este tipo de intenções quase militares já vem dos anos 50. Desde os anos 50 que Israel usa a venda das suas armas, e chamamos aqui ao 'Pegasus' uma arma, para fins diplomáticos", salienta o economista.

Referindo-se à estratégia adoptada pelo Estado Hebreu para se ilustrar como gigante da tecnologia, Guilherme Marques da Fonseca considera que Israel "está mais próximo daquilo que se pode chamar a democracia plena no Médio Oriente, com falhas, com violações aos Direitos Humanos que existem ali e também noutras democracias". Neste sentido, o especialista em inovação julga que "essa democracia, essa liberdade económica, essa liberdade de pensamento, uma cultura estudantil muito forte" assim como "um câmbio de recursos humanos e de conhecimento que não tem acontecido nos países à volta" são factores para este sucesso.

Relativamente às utilizações mais sombrias das tecnologias produzidas por Israel, as questões de ética e os problemas de privacidade que isso coloca, o economista observa que "hoje é Israel a aparecer com o seu produto, amanhã é a China, depois é a Rússia, depois são os Estados Unidos. Isto realmente é um desafio à escala global e se não forem os países tidos como democráticos a concertarem-se para que estas violações não persistam, ficaremos à mercê dos países ditos não-democráticos", conclui Guilherme Marques da Fonseca.

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