Cabo Verde procura solução para os transportes aéreos

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Aeroporto Internacional da Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde. Imagem de arquivo de 14 de Abril de 2021.
Aeroporto Internacional da Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde. Imagem de arquivo de 14 de Abril de 2021. © Carina Branco/RFI

O chefe da pasta do turismo em Cabo Verde passa connosco em revista o panorama dos transportes aéreos do arquipélago.Com os voos domésticos, neste momento, sob a alçada da empresa charter angolana BestFly num período de emergência... enquanto os voos internacionais ocorrem apenas com as empresas estrangeiras com ligações para o país já que o aparelho da Cabo Verde Airlines foi arrestado e que o Estado decidiu reverter os 51% dos islandeses da Icelandair na sucessora da TACV.

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O contexto da pandemia veio agudizar a situação da Cabo Verde Airlines como argumenta, pois, o ministro do turismo de Cabo Verde, Carlos Santos que nos explicou, numa primeira fase, a situação em que a antiga TACV se encontrava quando este governo do MpD assumiu funções.

"Em 2016 o governo encontrou a empresa numa situação muito difícil com uma dívida que ascendia aos 10 milhões de contos, ou seja cerca de 100 milhões de euros. Na altura chegou-se mesmo, nesta situação, em que havia quase que a fazer depender os apoios internacionais à resolução ou aniquilação da empresa. O governo convenceu a comunidade internacional e os nossos parceiros de que poderia haver uma saída que seria a privatização da empresa indo buscar um parceiro internacional, a Icelandair e as coisas começaram a acontecer a partir de 2019".

No entanto a pandemia veio precipitar as coisas, com a queda vertiginosa do turismo e das viagens. A gestão da pandemia não permitiu até ao momento a retoma dos voos e as autoridades acabaram por rescindir o contrato com a Loftleidir, do grupo islandês, sem se conseguir pôr a empresa de pé.

"A partir de 19 de Março de 2020 acabámos por fechar, encerrar as fronteiras devido à Covid-19 e dessa data a esta parte não conseguimos ainda pôr a companhia de pé", assumiu o governante.

O único aparelho da empresa, em regime de leasing, foi arrestado na sequência de uma providência cautelar interposta pela ASA, Aeroportos e segurança aérea.

De momento os voos internacionais são assegurados apenas pelas companhias estrangeiras com ligação para o arquipélago enquanto a TICV que veio a suceder à Binter Cabo Verde, responsável pelos voos domésticos, suspendeu operações.

A BestFly, empresa charter angolana, gere, em período de emergência, as ligações nacionais.

Uma situação complicada em pleno verão, época alta para as férias em Cabo Verde, dos mercados tradicionais de turistas ou da numerosa diáspora ou dos cidadãos do arquipélago que se desloquem ao estrangeiro.

"Efectivamente por a TACV não estar no mercado a situação fica um pouco mais complicada para o transporte de turistas e também dos nossos emigrantes" admite o ministro Carlos Santos, embora alegando que a companhia aérea de bandeira cabo-verdiana "não tinha conquistado o mercado turístico".

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