Neves: A missão de Lúcia Cândido

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Lúcia Cândido, missionária das irmãs franciscanas hospitaleiras da Imaculada Conceição em São Tomé e Príncipe.
Lúcia Cândido, missionária das irmãs franciscanas hospitaleiras da Imaculada Conceição em São Tomé e Príncipe. © Neidy Ribeiro

Lúcia Cândido, missionária das irmãs franciscanas hospitaleiras da Imaculada Conceição, é a coordenadora do projecto de Desenvolvimento Integrado de Lemba, na cidade de Neves. O projecto da freira portuguesa começou por levar comida aos mais carenciados, de seguida contruiram-se escolas, lares de idosos e mais tarde um centro de saúde. A obra da irmã Lúcia presta apoio a cerca de 2500 pessoas e dá trabalho a mais de 180. 

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Lúcia Cândido chegou há mais de 20 anos à cidade de Neves para dar aulas de português, mas rapidamente se apercebeu que as necessidades dos locais eram muitas e precisavam de resposta. 

"Quando tinha 36 anos pedi para vir fazer uma experiência às missões em África, pelo menos de dois anos. As irmãs cederam ao meu pedido, e vim para ficar dois anos. As irmãs mandaram-me para São Tomé e comecei a dar aulas de português na escola secundária de Neves. Mais tarde comecei a ver as necessidades e a tentar resolvê-las", referiu.

O projecto da freira portuguesa começou por levar comida aos mais carenciados, de seguida construíram-se escolas, lares de idosos e mais tarde um centro de saúde. 

"Hoje temos creches, dos seis meses até um ano, temos o jardim infantil, dos dois anos até aos cinco anos, temos a escola primária e agora abrimos o segundo ciclo", explica.

No ano lectivo 2020/2021 mais de 1200 crianças estiveram matriculadas nas escolas do projecto de Desenvolvimento Integrado de Lemba. Anastácio Bonaparte, director pedagógico da escola integrada básica Mãe Clara e jardim de infância, defende que este projecto veio criar postos de trabalho na comunidade e beneficiar as crianças que passaram a poder estar mais tempo na escola.

"O projecto reveste-se de grande importância, sobretudo porque gerou emprego para muitas famílias e, com a construção de jardins de infância e escolas, contribuiu para acabar com o regime triplo. As crianças passaram a ter mais tempo de aulas", detalhou. 

Atualmente, a obra da irmã Lúcia presta apoio a cerca de 2500 pessoas e dá trabalho a mais de 180. Carpintaria, biblioteca,  ateliê, biblioteca, refeitório social e atelier de costura. 

Há mais de vinte anos que Marlene Quaresma é responsável pela sala de costura: “tudo que se faz aqui é depois vendido para comprar mantimentos”

Do outro lado da rua, fica o lar de idosos e o gabinete médico e dentário. Estas duas estruturas funcionam graças ao apoio de médicos voluntários que chegam de Portugal, como é o caso de Ana Rita Igreja. 

“Queria fazer voluntariado há já bastante tempo. Assim tenho uma experiência que me enriquece e também posso ajudar os outros”, afirmou.

A irmã Lúcia admite que Portugal e São Tomé e Príncipe são parceiros estratégicos de uma obra que ainda tem muito por fazer.  A sua recente preocupação é o desemprego jovem: "isto é uma ilha, tenho receio que os jovens caiam na delinquência".

No entanto, a freira portuguesa não tem mãos a medir e já pediu ajuda ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, que se mostrou disponível para ajudar nesta missão.

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