Movimento dos Estudantes Angolanos prepara protesto contra aumento das propinas

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O governo angolano validou o aumento das propinas para um patamar máximo de 15% a 25%.
O governo angolano validou o aumento das propinas para um patamar máximo de 15% a 25%. Jornal de Angola

O governo angolano validou na semana passada um decreto instituindo um aumento do valor das propinas a pagar pelos estudantes na ordem dos 15% para as instituições privadas e público-privadas do ensino pré-escolar e secundário e de 25% para as instituições privadas e público-privadas do ensino superior.

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Esta medida está a gerar polémica entre as associações estudantis, nomeadamente o Movimento dos Estudantes Angolanos que para além de se dirigir por escrito às várias entidades do Estado, pretende igualmente protestar na rua já a partir deste sábado e noutras datas durante as próximas semanas, conforme disse à RFI Francisco Teixeira, presidente desta organização.

"Não podemos estar felizes num país que tem mais de 5 milhões de crianças fora do sistema de ensino, num país em que o Estado só controla 25% da educação, 75% estão na mão dos privados e o mesmo Estado autoriza que se aumentem as propinas quando 45% dos jovens estão desempregados e as crianças não têm acesso à educação, nós não podemos estar satisfeitos" declarou o líder estudantil ao dar conta da sua intenção de recorrer a todos os meios legais para fazer valer a posição de quem ele representa.

"Nós tentamos o contacto com o Conselho Nacional da Juventude, falamos também com o Instituto Nacional da Juventude, todas as estruturas ligadas à defesa dos estudantes e ligadas ao poder do Estado no sentido de intermediar um possível recuo do Estado, vamos também escrever para o Presidente da República, vamos escrever par ao provedor de justiça e para a Assembleia Nacional no sentido de se avaliar que as medidas não são as melhores porque vão tirar mais crianças do sistema de ensino, vai fazer com mais jovens fiquem sem estudar e vai atrasar o desenvolvimento do país", considerou Francisco Teixeira.

Ao avocar as manifestações a serem organizadas pelo seu movimento a partir do próximo sábado em vários pontos do país, o líder estudantil refere que no caso de não haver resposta positiva por parte do governo às suas reivindicações "os estudantes têm sido aconselhados para não fazerem inscrições, para não fazerem matrícula, para não irem para as universidades enquanto se estiver na rua lutando". Ao garantir que as manifestações e vigílias vão continuar, Francisco Teixeira sublinha que há "inúmeras violações dos direitos dos estudantes e que eles vão ser defendidos porque é um dos direitos fundamentais para o avanço da cidadania".

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