Economias

Covid-19 e os dias de angústia em Manaus, Estado brasileiro do Amazonas

Áudio 05:10
Sepultura de vítima da Covid-19 em Manaus.
Sepultura de vítima da Covid-19 em Manaus. MICHAEL DANTAS AFP/File
Por: Pierre Le Duff
8 min

No estado brasileiro do Amazonas, a segunda onda de Covid-19 provocou um colapso sanitário, agravado por uma falta de oxigénio nos hospitais. Os casos de reinfecção multiplicam-se  e a nova variante do virus descoberta na região preocupa os epidemiologistas.  

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As ambulâncias não páram  de chegar ao Hospital 28 de Agosto em Manaus.

Na porta das urgências ficam muitas famílias  de doentes com Covid-19, a aguardar  noticias dos pacientes internados. Apesar da superlotação, Alexandre conseguiu que a sua filha de 24 anos fosse atendida. 

Muitos têm que cuidar dos familiares doentes em casa.

A complicar o cenário Manaus sofre há uma semana de uma falta de oxigénio.

Morreram 100 pessoas asfixiadas no ultimo dia 14 de janeiro, segundo relatos dos profissionais de saúde. Este colapso sanitário tem várias causas.

Manaus foi uma das cidades mais atingidas pela pandemia no mundo. A alta circulação do virus pode ter favorecido o surgimento de uma nova estirpe detectada por pesquisadores no Amazonas. Mário Viana, presidente do sindicato de médicos do Estado, descreve um cenário de guerra : 

O sistema de saúde da cidade fica saturado porque é a única do Estado que dispõe de unidades de cuidados intensivos.

Em Iranduba, a uns trinta quilómetros de Manaus, quinze dias depois do Natal, 90 % das camas do pequeno hospital ficaram ocupadas, e sem oxigénio suficiente. A autarquia decidiu impor um recolher obrigatório das duas da tarde até às seis da manhã. 

Génesis, cabeleireiro, concorda com esta medida. 

Uma patrulha da guarda municipal chefiada pelo capitão Araujo fiscaliza o cumprimento do recolher obrigatório. 

Num país onde nunca houve confinamento, ainda é difícil para alguns entender essai ordem de ficar em casa.

O ministério da Saude brasileiro já confirmou um caso de reinfecçao pela nova estirpe de Covid-19 no Estado  do Amazonas, e os especialistas apontam que o Estado  deve ser prioritário no plano de vacinação.

Recebeu no início da semana um pouco mais de 280 000 doses do governo federal, uma quantidade insuficiente para atender todo o público alvo da primera fase.

 

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