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Tiago Mayan denuncia "sistema de castas" na saúde

Áudio 05:37
Tiago Mayan, candidato Liberal à Presidência da República.
Tiago Mayan, candidato Liberal à Presidência da República. © lusa
Por: Lígia ANJOS
11 min

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal às eleições presidenciais portuguesas defende um regresso à normalidade económica e social. Tiago Mayan Gonçalves lembra que Portugal tem uma responsabilidade importante na presidência da União Europeia em alertar, nomeadamente, para o que está a acontecer em Moçambique.

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RFI: Há condições para manter a campanha e para garantir que os portugueses votem em segurança no próximo dia 24 de Janeiro? 

Tiago Mayan: É um problema que neste momento é irresolúvel, já não temos uma solução para isto porque em termos constitucionais e legais, o governo não se preocupou de, atempadamente, arranjar uma solução alternativa para a abertura da possibilidade do voto antecipado para as realidades portuguesas. A partir de dia 17, quem se inscrever poderá exercer o seu direito de voto, poderá ser uma forma de tentar mitigar aqui um pouco o problema, mas é lamentável que tenhamos chegado a esta altura sem outro tipo de medidas.

Caso seja eleito Presidente da República, qual vai ser a sua prioridade?

Será reunir com o governo, com agentes da saúde, do sector económico, com o Conselho de Estado e perceber de que modo vamos estabelecer o caminho para o regresso à normalidade constitucional, social e económica. Temos que dar agora uma resposta a um problema de saúde, parece-me que ele se agravou para níveis absolutamente descontrolados e, portanto, vamos ter que ponderar todo o tipo de medidas, mas sem nunca perder de vista a destruição económica e social que já está a decorrer. Dependendo das medidas que forem aplicadas e como forem aplicadas, estas poderão ser arrasadoras para as próximas décadas do país. Temos de pensar nos próximos dias, temos de pensar nos próximos meses, mas também temos de pensar nos próximos anos e décadas para o país e os efeitos das medidas que iremos tomar para esse futuro.

Quanto às relações externas, qual é o papel que o Presidente da República pode ter no reforço das relações com os países afro-lusófonos?

Acho que tem um valor essencial, representativo dos valores liberais, civilizacionais que Portugal deve representar. Nesse aspecto, o contacto com a lusofonia e o papel integrado a nível europeu, a relação transatlântica, a defesa de democracia liberal em todo o mundo são valores de Portugal, que devem ser representados continuadamente pelo Presidente da República, como mais alto magistrado da Nação. Não cabe ao Presidente fazer de ministro dos Negócios Estrangeiros, mas há um papel atribuído, até constitucionalmente, de representação do país que é muito importante e que deverá ser, do meu ponto de vista, pela via dos valores.

A seu ver, o chefe de Estado pode garantir o sucesso da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia?

O contexto determinará necessariamente que esta presidência portuguesa da União Europeia estará ainda muito focada na questão da pandemia e na questão da resposta da chamada bazuca europeia, que irá começar a ser efectivamente posta no terreno e entregue aos Estados-membros. Gostaria muito de ver que a presidência da União Europeia não perdesse de vista o que está a acontecer em Moçambique, com actos que podem ser considerados de genocídio. É preocupante que em Portugal nem o Presidente da República, nem o governo se tenham jamais pronunciado ou movido « uma palha » sobre este assunto. Pelo menos no contexto europeu e junto dos países europeus era importante que Portugal usasse a sua presidência para também chamar a atenção e tentar arranjar uma solução para o que se passa no norte de Moçambique.

Tiago Mayan defende o acesso universal aos cuidados de saúde, mas não o actual modelo do SNS que, no seu entender, é um “sistema de castas” que perpetua as desigualdades. O que é que mudaria neste contexto sanitário?

É fácil para quem está no estrangeiro; França, Bélgica, Holanda, Alemanha. Eu quero o sistema que está aplicado nesses países e não é nada de muito criativo ou diferente. Ninguém se tem que preocupar sobre quem é o dono do hospital. As pessoas vão ao hospital e vão à clínica, sabem que estão cobertos por um sistema similar à ADSE, que temos em Portugal ou por um sistema de saúde garantido pelo Estado. A situação actual em Portugal garante que quem tem ADSE ou quem tem acessos a seguros de saúde tem acesso à saúde e quem não tem acesso a estas coisas, enfrenta listas de espera, que podem chegar a anos para uma cirurgia, meses para uma consulta e isto não é acesso aos cuidados de saúde, isto é acesso a listas de espera.

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