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Eleições em São Tomé e Príncipe: Protagonistas da 2ª volta falam à RFI

Áudio 06:53
Carlos Vila Nova e Guilherme Posser da Costa passaram à segunda volta das eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe.
Carlos Vila Nova e Guilherme Posser da Costa passaram à segunda volta das eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe. © RFI

Carlos Vila Nova e Guilherme Posser da Costa vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe. Esta decisão tornou-se oficial após o Tribunal Constitucional ter decidido não avançar com a recontagem integral dos votos pedida por Delfim Neves, terceiro candidato mais votado no país.

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A RFI falou com os dois candidatos. Começámos por conversar com Carlos Vila Nova, candidato mais votado na primeira volta. O também representante do partido ADI deu a sua opinião sobre os últimos acontecimentos destas eleições.

"A leitura que faço do processo eleitoral é uma verdadeira tentativa de subverter os resultados eleitorais e condicionar aquilo que é a vontade expressa pelos eleitores, pelo povo nas urnas. Foi suficientemente clara a escolha do povo", começou por dizer em entrevista à RFI.

O candidato considera que houve uma tentativa de condicionar a vontade do povo são-tomense.

"Tudo o que se seguiu vimos que era uma autêntica manipulação na tentativa de anular ou inverter a vontade popular através do Tribunal Constitucional a mando de um dos candidatos que claramente perdeu as eleições e que nem sequer se posicionou no segundo lugar", continuou Carlos Vila Nova.

O candidato considera que o país esteve estagnado durante as mais de duas semanas de impasse eleitoral.

"A verdade é que nós vimos um país refém de uma decisão e de uma má vontade de algumas pessoas, sempre os mesmos que, colados ao poder, não queriam respeitar essa tal vontade expressa claramente nas urnas, uma vez que as eleições foram consideradas livres, justas e transparentes por todos os observadores e a comunidade internacional que acompanhou. Não existiram problemas nenhuns", disse ainda.

"De repente, assistiu-se a toda essa encenação propositada, com cumplicidade do próprio Governo e das autoridades porque de outro modo a situação não teria chegado ao ponto a que chegou", defendeu.

O terceiro candidato mais votado, Delfim Neves, continua a contestar a transparência do processo, algo que Carlos Vila Nova não entende.

“Havia e há mecanismos previstos na lei. O pacote da lei eleitoral foi todo ele aprovado, sob proposta da nova maioria que compõe o Governo e a Assembleia Nacional. Foi preparada a medida. Não vejo a razão de não terem cumprido a lei para contestar. Havia mecanismos para o fazer e não tendo cumprido esses mecanismos legais optaram por essa tentativa de bloqueio e de inversão daquilo que foi realmente a vontade expressa pelos eleitores que foi clara e demonstrativa da sua própria vontade”, complementou.

Quanto ao início da campanha para a segunda volta das eleições, ainda não existem certezas no que diz respeito a datas.

“Depois do acórdão, o Tribunal Constitucional e as autoridades têm no máximo 21 dias para marcar a nova data. Dez dias penso eu antes das eleições, a campanha teria o seu início. Estou esperançoso de que as coisas se resolvam o mais brevemente possível de forma a esclarecer e sair desta situação e não prejudicar ainda mais o país”, disse ainda.

Quanto à possibilidade de parte do eleitorado poder estar de férias no período de votação, o candidato demonstrou estar confiante.

“Eu estou confiante no meu trabalho e nas mensagens que vou continuar a passar, na interação que terei de fazer com as pessoas, numa base de boa fé para que as pessoas depois retribuam da mesma maneira essa vontade e fazer a escolha em consciência e não através da oferta de bens materiais ou de outros compromissos que não se coadunam com a lei”, concluiu o candidato da ADI.

Por seu turno, Guilherme Posser da Costa, segundo candidato mais votado nas eleições e representante do MLSTP-PSD, revelou que sempre quis que existisse um esclarecimento sobre os resultados da primeira volta das eleições. 

Eu sempre manifestei a vontade de que as dúvidas que foram levantadas pelas diferentes candidaturas, quer a que ficou em primeiro lugar, quer a que ficou em terceiro lugar fossem esclarecidas porque eu não me sentiria confortável em ir para uma segunda volta sobre um clima de suspeição e eventualmente de fraude. Eu sempre defendi que estas questões fossem esclarecidas”, começou por defender o candidato.

Guilherme Posser da Costa recordou que este imbróglio eleitoral teve um grande impacto no país.

Eu acho que nós passámos por um processo extremamente turbulento. Eu considero que o bom senso terá de certo modo vencido e entregámos aos órgãos que têm a competência para decidir sobre conflitos desta natureza para tomarem a última decisão. A última decisão foi tomada e eu não tenho mais nada a dizer, senão respeitar a decisão do tribunal”, salientou.

Quanto ao início da campanha rumo à segunda volta, a incerteza ainda paira no ar.

A minha estrutura, a minha delegação de campanha ainda não tem a resposta. Ainda estamos numa fase de apuramento geral definitivo da comissão nacional eleitoral. Penso que só depois disso existirão por parte da comissão nacional eleitoral, eventualmente também por outras entidades implicadas neste processo, a fixação da próxima data da segunda volta das eleições presidenciais”, explicou à RFI.

O candidato deixou ainda um apelo para que a população são-tomense se dirija às urnas.

Eu espero que não volte a acontecer o nível de abstenção que aconteceu na primeira volta. Apelo a todos os são-tomenses para saírem das suas casas e irem votar. Aqueles que eventualmente terão marcado as suas férias e têm as suas vidas programadas, não posso, de maneira alguma, impedir que saiam do país, mas aqueles que não têm motivos urgentes e inadiáveis, eu pedia que ficassem no país porque esta segunda volta vai ser extremamente decisiva para São Tomé e Príncipe”, apelou.

Por fim, o candidato reiterou este pedido: “Não podemos entregar em mãos alheias o futuro do nosso país. Eu espero que o número de abstenção diminua e que o próximo Presidente da República, que serei eu, possa estar legitimado por uma maioria o mais larga possível do povo são-tomense”.

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