A "missão impossível de JLo", a história recente do Ruanda e Suez

Áudio 03:19
Edição do Courrier International desta semana.
Edição do Courrier International desta semana. © RFI

Abrimos esta revista de imprensa semanal com Angola cujo panorama politico e económico é mencionado no Jeune Afrique. "A missão impossível de JLo", é deste modo que esta publicação se refere ao presidente angolano que segundo o Jeune Afrique "se encontra em plena maratona -dívida, privatizações, covid-19- sendo alvo de críticas, inclusive no seu próprio campo".

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Efectivamente, o Jeune Afrique constata que "apesar das promessas e do discurso de mudança, os fundamentos da economia permanecem os mesmos", o semanário referindo que "a presidência de João Lourenço encoraja o incremento da iniciativa privada", mas que "o Estado permanece o principal actor da economia".

Também em foco está o Ruanda, numa altura em que faz precisamente 27 anos que foi desencadeado o seu genocídio em 1994. Um relatório divulgado nos últimos dias sobre o desempenho da França durante esse período está a suscitar muitos comentários, nomeadamente no Courrier International. Ao citar um artigo do jornal Aujourd’hui au Faso, o Courrier constata que este documento "recorda-nos que vinte e sete anos depois do genocídio do Ruanda, nada está resolvido entre os dois países cujas relações são instáveis", esta publicação considerando que "o contencioso em torno da memória deveria ser resolvido por um armistício que passa pela reconciliação entre a França e o Ruanda. Isso vai exigir o perdão que liberta, que não é o reconhecimento de uma fragilidade mas que engrandece, especialmente se, ao longo das investigações e dos processos, for estabelecida a responsabilidade da França."

No semanário católico La Vie, explica-se que "a visão francesa do país das mil colinas resumia-se naquela época a um apoio incondicional ao regime hutu, único campo legítimo do ponto de vista de Paris, por representar a maioria dos ruandeses". Na óptica desta publicação, "não està garantido que a França tenha acabado com esta visão simplificada da geoestratégia, sobretudo no que toca aos conflitos africanos".

Noutro aspecto, o bloqueio ainda há dias de um cargueiro no meio do Canal de Suez, no Egipto, também merece algum destaque. Ao constatar que "isto paralisou parte do tráfego marítimo mundial", o Courrier International considera que este "incidente mostra quão vulnerável é o comércio marítimo". Na optica desta publicação que cita o The Economist, "pode demorar dias ou até semanas, antes de o canal de Suez, por onde transitam quase 19.000 navios por ano, retomar um funcionamento normal. As rotas marítimas comerciais podem novamente ficar bloqueadas no futuro, e pode ser necessário algo mais do que escavadoras para resolver o problema. Os governos e as empresas devem preparar-se a enfrentar mais dificuldades."

Entretanto, no l'Express, é mencionada a situação da África do Sul e mais concretamente o antigo Presidente Jacob Zuma, que segundo este semanário "incomoda o poder (...) Processado por corrupção, o ex-presidente coloca à prova o seu sucessor, Cyril Ramaphosa, num país em crise." Ao referir que o antigo presidente sul-africano tem denunciado uma caça às bruxas e tem procurado por todos os meios fugir a um julgamento, l'Express considera que "é outra batalha que está a ser travada nos bastidores: a do controlo do ANC e, por conseguinte, do país, já que o movimento de Nelson Mandela foi reeleito continuamente desde as primeiras eleições democráticas em 1994. Ex-sindicalista que se tornou milionário, Cyril Ramaphosa fez da luta contra a corrupção o seu cavalo de batalha. Em Agosto, ele fez votar a obrigação de os membros de seu partido se demitirem no caso de serem acusados de corrupção", sublinha l'Express com o qual fechamos esta revista de imprensa semanal.

 

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