Revista de Imprensa

Covid-19: Que opções tem Emmanuel Macron?

Áudio 04:04
Presidente francês, Emmanuel Macron. 29 de Março de 2021. Créteil.
Presidente francês, Emmanuel Macron. 29 de Março de 2021. Créteil. AP - Ludovic Marin

No dia em que o Presidente francês vai falar e deverá pronunciar novas medidas sanitárias contra a propagaçao da covid-19, os jornais analisam as opções que estão em cima da mesa, nomeadamente a possibilidade de as escolas fecharem. Outro tema em destaque o inquérito da ONU que acusa a força francesa Barkhane de ter bombardeado um casamento no Mali.

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No Aujord’hui en France, pode ler-se, em manchete, “Fecho das escolas: a angústia dos pais”. O jornal explica que “as contaminações nas escolas estão a multiplicar-se e a pressão é cada vez maior sobre o governo para suspender as aulas. O diário ouviu representantes dos empregadores para quem “o fecho das escolas é um pesadelo” porque “pedir aos trabalhadores com filhos em casa para trabalhar não funciona”.

O Libération fala no “reconfinamento” como “a missão impossível de Emmanuel Macron” e publica uma carta aberta do Presidente do Conselho Nacional da Ordem dos Médicos, Patrick Bouet, intitulada: “Senhor Presidente, peço-lhe que nos reconfine”. O responsável fala em “situação terrivelmente grave” e explica que “para os que estão na linha da frente da luta contra a Covid-19, parece que se perdeu o controlo da epidemia”. O médico alerta que “daqui a algumas semanas, ao ultrapassar os cem mil mortos em França, a epidemia terá riscado o equivalente da cidade de Nancy do mapa de França”. Por isso, relembra que "atrás dos números há vidas" e para salvar vidas e não obrigar os médicos a escolher entre os pacientes, o responsável pede um novo confinamento ao Presidente enquanto a população não estiver vacinada em massa.

O Figaro titula, na primeira página, “Macron sob a pressao dos apoiantes do confinamento” e escreve que “apesar da ofensiva de uma parte dos médicos que defende um confinamento restrito para travar a pandemia, o Presidente procura uma outra via”. O editorial marca a posição do jornal com o título “O medo não é uma política” e considera que “os profetas da epidemia eterna utilizam a arma do medo, ou seja, a da escolha dos pacientes, para convencer sobre a absoluta necessidade do confinamento”.

Outra posição tem L’Humanité que titula em primeira página que "Macron avança aos recuos". O jornal questiona se a estratégia do Presidente se chama "teimosia" e escreve que numa altura em que a situação sanitária está crítica poderá o presidente continuar inflexível?

La Croix destaca que “há números alarmantes sobre a saúde mental das crianças”. “Os psiquiatras consideram que as crianças nao escapam às consequências da crise sanitária sobre as suas vidas nem às preocupações dos seus pais”.

Le Monde escreve que Emmanuel Macron é acusado de hesitações, numa altura em que a Presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, pede o fecho das escolas. O jornal questiona “quem vai ganhar a batalha das variantes de covid-19”. Em França, a variante britânica representa 80% das novas infecções. "Começou a corrida entre a vacinação e a evolução das variantes que pode fragilizar a protecçao da vacina”.

Em manchete, Le Monde ilustra as expectativas em torno dos anúncios de Emmanuel Macron com um desenho do 'cartoonista' Plantu, que hoje publica o último trabalho no jornal antes de partir para a reforma após 50 anos de colaboração. A imagem é simbólica e vêem-se várias figuras políticas e do mundo da saúde a perguntar ao Presidente Macron: “O que vai anunciar, senhor presidente?”. A personagem responde, de rosto muito amarelo, “Ai se eu soubesse!”.

O Libération faz capa com a despedida ao caricaturista Willem, de 80 anos, que deixa o jornal após 40 anos mas que vai continuar a trabalhar para o Charlie Hebdo. E é precisamente uma das sobreviventes do ataque jihadista ao Charlie Hebdo de 2015 que retoma o seu posto, a caricaturista Coco que preenche a contra-capa do jornal e que acaba de lançar um livro sobre o Charlie Hebdo e o ataque... O Libération homenageia Willem com imagens em todas as páginas que foram sendo publicadas ao longo dos anos e com uma prancha inédita feita para esta edição de despedida pelo próprio Willem. Destacamos um desenho onde aparece um retrato de Cesária Evora, entre outros artistas, no âmbito de uma reportagem em Agosto de 2004 no festival Jazz in Marciac.

Moçambique é destaque no Monde que escreve que a ameaça dos Al-Shabab é tomada a sério, nomeadamente pela África do Sul, Estados Unidos e Portugal. O vespertino alerta que “o ataque de Palma mostrou que a insurreição jihadista de Cabo Delgado já não é apenas algo local”.

O confinamento aumenta a caça furtiva, alerta o Aujourd’hui en France, indicando que, por exemplo, no Zimbabué, desde o início do ano morreram 10 elefantes, e que em Abril do ano passado, foram mortos dois rinocerontes brancos.

Outro tema em destaque nos jornais é a conclusão de um inquérito da ONU que acusa a força francesa Barkhane de ter bombardeado um casamento no Mali, a 3 de Janeiro, matando 19 civis. O exército francês rejeita as acusações que diz basearem-se apenas em testemunhos anónimos. L’Humanité considera que “a propaganda de Paris foi pulverizada pela ONU”.

O Figaro fala, ainda, no “alívio do Egipto após a retoma do tráfego marítimo” no Canal do Suez com o desbloqueio do porta-contentores Ever Given. L’Humanité analisa que o episódio "assustou as bolsas" e que "o Canal do Suez fez tremer o comércio mundial".

O Libération publica, ainda, um artigo sobre um dossier que foi apresentado no Tribunal Penal Internacional que pede a abertura de um inquérito por crimes de guerra pela recusa do Presidente Emmanuel Macron em repatriar crianças e esposas francesas de jihadistas presas na Síria. O documento sustenta que Macron rejeitou de maneira “intencional” o direito das mulheres em serem julgadas, apontando-o como cúmplice da detenção com “tratamentos crueis e degradantes” desde 2019.

O desportivo L’Equipe faz manchete com o embate desta quarta-feira entre a França e a Bósnia-Herzegovina, na qualificação para o Mundial'2022. O jornal destaca a prestação, entre outros, do francês de ascendência portuguesa Antoine Griezmann, descrito como "inquebrável".

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