Os Estados Unidos, o Myanmar e a covid-19 nas manchetes

Áudio 03:43
Manchete do Le Monde desta segunda-feira 5 de Abril de 2021.
Manchete do Le Monde desta segunda-feira 5 de Abril de 2021. © RFI

Assuntos muito diversificados fazem as manchetes dos jornais nesta segunda-feira. Por exemplo, podemos ver a retoma económica pós-covid nos Estados Unidos na capa do Le Monde, enquanto é a violência no Myanmar que faz a abertura do conservador Le Figaro.

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Começando com o Le Monde, os Estados Unidos estão na "hora da retoma". Um fenómeno que segundo o vespertino "é explicado pela campanha de vacinação massiva da população e pelo plano económico de Joe Biden". Para o editorialista do Le Monde, "a revolução reside no facto de as classes populares e médias regressarem ao centro das preocupações públicas". Ao enumerar as medidas de que vão beneficiar as faixas mais fragilizadas da população americana, o editorialista do Le Monde conclui que "se ele ganhar a sua aposta, Joe Biden vai conseguir virar a página económica do reaganismo. E sem dúvida, o mais importante para ele, a do trumpismo".

Já na Europa, o cenário é outro. Ao falar de "uma passagem à velocidade superior" em França, o diário Aujourd'hui en France refere que o antigo ministro francês da economia, Thierry Breton, actual Comissário Europeu para as vacinas, está a lançar a produção de vacinas em França. Em entrevista ao jornal, Thierry Breton considera que a "imunidade colectiva na Europa poderá ser alcançada em meados de Julho", o jornal referindo no seu editorial que "até ao final deste ano, a Europa poderia tornar-se o primeiro continente produtor de vacinas no mundo. Uma bela vitória de que a União Europeia, muito maltratada nestes últimos tempos, vai precisar", conclui o jornal.

Noutro aspecto -conforme mencionado mais acima- a manchete do Le Figaro debruça-se por sua vez sobre a Birmânia "perante o espectro da guerra civil" e, no seu editorial, nota que "os ocidentais dão gritos de horror perante o massacre de civis", mas que "por enquanto não colocam em causa os interesses dos grandes grupos como a Total". Ao explicar que está a ser constituída uma frente pró-democracia que inclui grupos rebeldes, o editorial do Le Figaro refere que "é aí que as potências internacionais vão querer envolver-se. Em negócio com os generais, a China não tenciona deixar que uma revolução democrática seja bem-sucedida junto às suas fronteiras, enquanto os Estados Unidos, vão ser motivados pelo inverso", o jornal antevendo "um longo túnel de luta e sofrimento" para o Myanmar.

Entretanto, no Aujourd'hui en France, é evocado o Mali e mais concretamente o destacamento de forças especiais europeias 'Takuba'. No final da semana passada, a Ministra francesa da Defesa, Florence Parly, lançou oficialmente essa 'task force' que congrega militares vindos da Suécia, da Estónia e da República Checa juntamente com as forças francesas já presentes no terreno. "É um laboratório da Europa da Defesa", considerou Florence Parly citada pelo diário que todavia se interroga: "Será que a Europa vai querer envolver-se mais, numa altura em que o exército francês é acusado num relatório da Minusma de ter morto civis durante um bombardeamento aéreo no passado 3 de Janeiro?" Após indicar que a titular da pasta da defesa "tornou a refutar qualquer derrapagem", Aujourd'hui en France refere que "para já, a Europa não recua, pelo contrário, a sua participação ainda tímida vai aumentar".

Por fim, não podíamos deixar de mencionar o dossier do Le Monde sobre Mayotte, território francês ao largo de Moçambique. "No dia 31 de Março de 2011, este pequeno território do Índico tornou-se um distrito francês. Dez anos depois, os progressos almejados pelos habitantes desse território não aconteceram e o Estado tem todas as dificuldades em responder à urgência" relata Le monde ao esclarecer que Mayotte é o território mais pobre de França. "O seu futuro económico passará por Moçambique?" Esta é uma das interrogações do Le Monde que ao evocar a perspectiva -por enquanto suspensa- da exploração de gás natural no norte de Moçambique, refere que "Mayotte pretende tornar-se na base de retaguarda" destes projectos, designadamente com uma adaptação das suas infra-estruturas aéreas, médicas e de telecomunicações. "Trata-se de um desafio e também de uma esperança a concretizar", conclui Le Monde com o qual fechamos também esta revista de imprensa.

 

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