Vida em França

Paris lusófono desconfina-se com cafezinho da manhã e fado à mistura

Áudio 07:23
O Comptoir Saudade encheu a esplanada logo de manhã no dia 19 de Maio.
O Comptoir Saudade encheu a esplanada logo de manhã no dia 19 de Maio. © Catarina Falcao - RFI

O dia 19 de Maio foi o regresso oficial às esplanadas em França e os portugueses em Paris não faltaram à chamada, ora para um café matinal, ora para uma noite de fado, que todos esperam seja um regresso à vida normal antes da pandemia.

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Às 10 da manhã de quarta-feira, a esplanada do Café português Comptoir Saudade no 17º bairro de Paris já estava esgotada. Após sete meses sem permissão de vir às esplanadas, Lurdes Rodrigues, vereadora deste bairro da capital francesa, disse à RFI que o sentimento é "muito forte".

"Parece que estávamos numa prisão e hoje foi dia que saímos. sibto uma grande liberdade em poder estar na rua, sem estar oprimida, sem que a polícia passe e diga que é poribido. É um sentimento muito forte", declarou Lurdes Rodrigues.

Do outro lado do balcão, Flora Rodrigues, proprietária do café, fala em alívio e até de um regresso à normalidade.

"Isto é um alívio quando abrimos e vemos a vida a voltar ao normal, era o que queríamos. É uma felicidade de podermos continuar a trabalhar e voltar à normalidade", afirmou Flora Rodrigues.

À noite, o regresso ao convívio entre amigos fez-se no Portologia, bar e garrafeira na rue Chapon, no 3º bairro de Paris, com uma noite de fado e música tradicional portuguesa.

A garrafeira e bar Portologia organizou uma noite de fados em Paris no primeiro dia do desconfinamento.
A garrafeira e bar Portologia organizou uma noite de fados em Paris no primeiro dia do desconfinamento. © Catarina Falcao - RFI

O anfitrião, Julien Santos, dono do Portologia, foi  surpreendido pela adesão dos clientes a esta primeira noite de fado após meses de espera devido à pandemia de covid-19.

"É muito bom voltar a ver clientes, sentir o ambiente a que estávamos habituados, sentir a música, voltar ao serviço normalmente é muito agradável. [As reservas] Foi muito rápido, anunciámos no sábado e no sábado à noite estávamos já 80% cheios", contou Julien Santos.

Para os artistas, como Hugo, estudante de 20 anos, foi o regresso ao palco e às lides do fado.

"O fado é uma forma de pensar, viver. Não posso passar um dia sem ouvir fado. [Não cantar com público] Tem custado muito, canto em casa, mas não é a mesma coisa", concluiu.

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