Crise dos submarinos: Macron e Biden reconciliados

Áudio 08:20
Presidente Macron e o seu homólogo americano Joe Biden durante um encontro bilateral em Junho de 2021.
Presidente Macron e o seu homólogo americano Joe Biden durante um encontro bilateral em Junho de 2021. AP - Patrick Semansky

Seis dias depois do anúncio do pacto Aukus, que desencadeou uma crise diplomática entre Paris e Washington, os presidentes francês e norte-americano conversaram por telefone esta quarta-feira, para retomar "conversas intensivas" no próximo mês.

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Os Presidentes de França e dos Estados Unidos concordaram em encontrar-se pessoalmente no final de Outubro para discutirem as consequências da criação do pacto de defesa entre os EUA, Austrália e Reino Unido, que gerou uma crise diplomática inédita entre Washington e Paris.

Em deslocação aos Estado Unidos, Scott Morrison, diz entender a decepção de Paris depois da assinatura do pacto militar estratégico Aukus e do cancelamento do "contrato do século" com a França.

O primeiro-ministro australiano reconheceu, esta quarta-feira à noite, que o Presidente francês Emmanuel Macron lhe dificultava a vida depois do cancelamento do contrato dos submarinos, mas Scott Morrison prometeu ser "paciente" para restaurar as relações com a França. Declarações proferidas a partir de Washington, explicou ainda ter tentado falar com Macron mas ainda sem qualquer efeito.

O AUKUS é uma aliança estratégica, militar e tecnológica entre Austrália, Estados Unidos e Reino Unido, anunciada pelos chefes de Governo dos três países na quarta-feira, e especificamente concebida para actuar e ser desenvolvida na região do Indo-Pacífico. O acrónimo que dá nome à parceria resulta da junção das letras pelas quais são conhecidos internacionalmente os seus três membros: AU (Austrália); UK (Reino Unido); e US (Estados Unidos).

No centro da discussão esteve o facto de, com a decisão de aceitar a tecnologia nuclear norte-americana, o governo australiano ter decidido cancelar um acordo que fez em 2016 com a empresa francesa Naval Group, que implicava a renovação da sua frota de submarinos a troco de 31 mil milhões de euros – o “acordo militar do século”, como ficou conhecido.

"A França poderia ter antecipado estas manobras", aponta o docente na Science Po, Pascal de Lima. O economista sublinha ainda que "os Estados Unidos procuram aliados contra a China, afastando a França da região do Indo-Pacífico".

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