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São Tomé e Príncipe

Comercialização do cacau são-tomense em crise devido à pandemia de covid-19

Cacau no começo da fermentação.
Cacau no começo da fermentação. Liliana Henriques / RFI
Texto por: Maximino Carlos
4 min

A empresa de capitais suíços Satocao, maior compradora de cacau convencional do país, decidiu suspender a aquisição de cacau em goma alegando a falta de finanças, esta entidade tendo igualmente anunciado a sua decisão de devolver ao Estado algumas parcelas de terras que estavam sob a sua tutela.

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Esta decisão surpreendeu o governo e os produtores de cacau, alguns deles tendo dado conta das dificuldades que esta situação está a criar para o sector agrícola do país. O ministro são-tomense da agricultura considera que é um assunto delicado e que o governo deve encontrar uma solução viável. “O governo enquanto patrão das terras deve encontrar uma solução viável”, declarou Francisco Ramos referindo contudo que a Satocao não informou o executivo de forma oportuna da sua decisão.

De capital suíço, a Satocao instalou-se em São Tomé em 2010, tendo assumido a responsabilidade de reabilitar as plantações de cacau. Centenas de pequenos e médios produtores que dependem desta empresa estão preocupados com a decisão da Satocao em suspender a compra de cacau em goma. De acordo com a imprensa local, a empresa explicou às autoridades são-tomenses que "por causa da Covid-19 há uma redução drástica da compra do cacau no mercado europeu" e que por conseguinte "não tem liquidez para comprar o produto" em São Tomé e Príncipe. Para o ministro da agricultura, esta decisão tem um impacto sério. “É uma batata quente para o governo. Muitos agricultores que produzem cacau não estão enfileirados em cooperativas. Não obstante essa actividade ser uma actividade meramente privada ela tem o seu cunho social e económico”, realçou Francisco Ramos.

Refira-se que a par do turismo, um dos sectores importantes da economia são-tomense que tem sofrido do impacto negativo da pandemia, a agricultura deste país tem igualmente conhecido uma quebra. Este sector que segundo dados oficiais representa cerca de 20% do PIB e 80% das receitas oriundas das exportações do país, é largamente dominado pela produção de cacau, uma fonte importante de rendimentos para o país.

 

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