Presidenciais

Presidenciais em São Tomé: PCD exige recontagem dos votos

Eleitores são-tomenses
Eleitores são-tomenses © LUSA - NUNO VEIGA

O Partido da Convergência Democrática (PCD) exige que seja feita uma nova contagem dos votos relativos à primeira volta das presidenciais são-tomenses que se realizaram dia 18 de julho de 2021. O apelo foi feito pelo director de campanha do PCD, João Costa Alegre.

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João Costa Alegre, cujo partido ficou em terceiro lugar, denuncia ter havido uma "fraude massiva" durante a primeira volta das presidenciais são-tomenses.

"Continuamos a insistir que deve haver efectivamente a recontagem de votos. Sobretudo, no nosso caso, estamos a exigir que haja recontagem de votos nas mesas onde nós não estávamos representados. E (...) não é uma reclamação que só a candidatura de Delfim Neves está a fazer. Outras candidaturas também começam a tentar saber, ter ideias, sobre resultados. Portanto, eles querem saber como os dados da Comissão Nacional Eleitoral aparecem. É nesse sentido que nós continuamos a reafirmar que não vamos baixar os braços até que seja esclarecido onde estão guardados os 4497 votos que nós estamos a discutir que sejam para nós, mas esses 4000 votos até podem não ser para a candidatura de Delfim Neves. Mas são votos que têm de nos dizer onde param" , acrescenta Carlos Alegre.

João Costa Alegre, director de campanha de Delfim Neves, 21/7/2021

Por seu turno, Carlos Vila Nova, da Acção Democrática Independente, o candidato mais votado na primeira volta das eleições são-tomenses, pede explicações devido ao facto de, na sua opinião, a contagem dos votos ter sido anormalmente  demorada.

"Vamos continuar a reagir. Vamos continuar a trabalhar no sentido (de a Comissão Eleitoral esclarecer) o povo são-tomense (sobre) o que se passou. Qual a sua intenção e o porquê da interrupção, e só 24 horas depois fazerem esse anúncio (que) o povo espera. O povo está a sentir-se roubado. Nós, na nossa candidatura, também tudo faremos para respeitar o povo e para que as eleições não manchem, de maneira nenhuma, o amadurecimento democrático que São Tomé tem vivido. Nós (reclamamos, pedindo) explicações em relação ao que aconteceu . Isso já entrou. E agora (...) vamos, como os juristas e os mandatários, em termos legais, com os mecanismo que a lei nos confere - eu não saberei dizer, de momento, que mecanismos - (interpor)  também (uma) reclamação ou recurso para o esclarecimento cabal desta situação".

 

Carlos Vila Nova, 21/7/2021

 

A segunda volta das eleições presidenciais são-tomenses irá realizar-se no próximo dia 8 de agosto, como foi anunciado pela Comissão Eleitoral Nacional.

Os procedimentos e anúncios da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) têm sido, entretanto, contestados.

O Observatório de Transparência de São Tomé publicou um manifesto onde pede também esclarecimentos à CEN sobre o paradeiro dos mais de 4 mil votos.

Contactado pela RFI, Oscar Baía, membro do Observatório de Transparência de São Tomé e Príncipe, explicou que foi anunciado um determinado número de votantes, mas, se forem somados os votos de todos os candidatos, ficam a faltar mais de 4 mil e quatrocentos votos.

Oscar Baía afirma que esses votos podiam ter influenciado os resultados da primeira volta. Diz que não dariam maioria absoluta a Carlos Vila Nova, mas poderiam ter alterado o resultado dos candidatos que ficaram em segundo e terceiro lugar.

O Observatório de Transparência de São Tomé e Príncipe emitiu por isso um manifesto onde pede à Comissão Eleitoral Nacional que esclareça a população sobre o paradeiro desses votos.

Oiça aqui o trabalho da enviada especial a SãoTomé e Príncipe Neidy Ribeiro

Correspondência de Neidy Ribeiro, 21/7/2021

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