São Tomé e Príncipe/Eleições

São Tomé e Príncipe: Delfim Neves garante que "a luta continua"

Delfim Neves foi o terceiro candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe.
Delfim Neves foi o terceiro candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe. © Delfim Neves

São Tomé e Príncipe viveu mais de duas semanas um imbróglio eleitoral depois de Delfim Neves, terceiro candidato mais votado na primeira volta de 18 de julho, ter pedido a recontagem dos votos.

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Apesar disso, o Tribunal Constitucional proferiu um acórdão esta segunda-feira, 2 de agosto, indeferindo o pedido de Delfim Neves.

Em entrevista à RFI, o candidato reage acatando a decisão do tribunal, mas assumindo que o seu combate político prossegue, continuando, porém, a denunciar a falta de transparência do processo eleitoral.

"Apenas queríamos e continuamos a pedir, pese embora haver já uma decisão do Tribunal Constitucional, que haja verdade eleitoral. A candidatura de Delfim Neves não caiu na ratoeira e introduziu o processo legal, cumprindo os prazos e os articulados que a lei confere. Alguns malfeitores tentaram transferir a responsabilidade do país estar paralisado a Delfim Neves", começou por referir o também presidente da Assembleia Nacional.

Quanto às críticas de que foi alvo por ter familiares e inclusive o mandatário da sua campanha no Tribunal Constitucional de São Tomé e Príncipe, o candidato defende que não existiu um conflito de interesses.

"Quando se trata de contencioso eleitoral, não há conflito de interesses porque o contencioso são os votos que estão na urna. Mesmo que o meu pai fosse juíz e que me desse razão, a razão dele não altera o resultado que está na urna", referiu ainda.

O candidato continua a defender que estas eleições não deveriam ser contabilizadas. "Estas eleições deviam ser nulas porque elas nunca foram transparentes. Roubaram votos de muitos candidatos, mas claro de forma substancial a Delfim Neves para afastá-lo da corrida. Eu sempre disse que acatarei qualquer decisão do Tribunal Constitucional desde que seja legal", complementou.

Apesar deste desfecho, o candidato assume que vai manter-se na vida política.

"Eu estou na vida política há mais de 30 anos. Não é a primeira vez que eu concorro às eleições e aceitei a derrota em 2011. A luta continua e de certeza que a vitória será nossa", concluiu Delfim Neves.

Recorde-se que o acórdão proferido pelo Tribunal Constitucional de São Tomé e Príncipe, tacitamente, viabiliza o avanço do processo eleitoral que se deveria traduzir na proclamação dos resultados definitivos da primeira volta de 18 de Julho e o subsequente anúncio da data da segunda volta, agendada numa primeira fase para 8 de Agosto.

Um prazo que não poderá ser honrado por não terem sido cumpridos os requisitos legais para a conclusão da primeira volta, estando-se neste momento, apenas, na posse de resultados provisórios que estipulavam uma segunda volta entre Carlos Vila Nova, da ADI, e Guilherme Posser da Costa, do MLSTP-PSD.

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