São Tomé e Príncipe

Último dia de campanha eleitoral em São Tomé

São Tomé.
São Tomé. © RFI

Os candidatos Carlos Vila Nova e Guilherme Posser da Costa escolheram a capital são-tomense para o último dia de campanha eleitoral. A segunda volta das eleições presidenciais decorre no domingo, 5 de Setembro, depois de vários incidentes que acabaram por atrasar o escrutínio e mergulharam o país numa crise política.

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Os candidatos às eleições presidenciais escolheram a capital são-tomense para o último dia de campanha eleitoral.

Guilherme Posser da Costa começa o dia em Morro Peixe, estando igualmente previstas actividades em Guadalupe, Agostinho Neto, Conde, Micolo, Chácara, Madredeus, Água Porca, Riboque, Mercado Novo, Fruta Fruta, Água Arroz e São Marçal. O encerramento da campanha tem lugar em Pantufo, às 17 horas locais.

O candidato apoiado pelo MLSTP-PSD está confiante no voto dos são-tomenses, mas receia que esta segunda volta possa ficar marcada por uma forte abstenção.

“Não quero esconder que é também um pouco o meu receio porque há uma tendência que parece que estamos a brincar à política e é provável que os eleitores digam: não vou outra vez votar porque, realmente, fui votar e o meu voto foi objecto de todos os problemas que aconteceram. Não há dúvida que todos os conflitos que existiram poderão, eventualmente, levar as pessoas a terem pouca vontade de ir votar”, refere.

A reportagem da RFI esteve a acompanhar o último dia de campanha com o candidato.

Comício de encerramento G P da Costa, reportagem de Neidy Ribeiro, 3/9/2021

Carlos Vila Nova vai estar ao início da tarde, 14 horas locais,  na praça de Táxis, a comitiva segue depois para as praias da capital, entre elas Gamboa e Lichinga. O candidato apoiado pela ADI, mostrou-se confiante na vitória, todavia alerta para possível fraude eleitoral.

“Lamentavelmente, os meus opositores já nos fizeram pensar que sim porque pela vontade popular não parece que consigam chegar ao resultado que pretendem. É uma tentativa frustrada, porque vencer as eleições no gabinete, ou por outras vias, não é de todo correcto em democracia. É a voz do povo que fala mais alto, é a vontade do povo expressa nas urnas que conta”, denunciou.

A reportagem da RFI deslocou-se ao local do comício onde se concentraram os adeptos de Carlos Vila Nova.

Comício de encerramento C Vila Nova, reportagem de Neidy Ribeiro, 3/9/2021

A segunda volta das eleições presidenciais decorre este domingo, 5 de Setembro, depois  de vários incidentes que mergulharam o país numa crise política.

Delfim Neves, o terceiro candidato mais votado na primeira volta, interpôs um recurso no Tribunal Constitucional para a recontagem dos votos. O processo paralisou o tribunal, com os juízes divididos sobre a necessidade de recontagem dos votos, que acabou por ser recusada.

Os atrasos na realização do escrutínio trouxeram a público  a discussão sobre a substituição interina do chefe de Estado cessante, cujo mandato termina hoje, 3 de Setembro.

Esta semana, Evaristo Carvalho afirmou que a discussão sobre a sua substituição interina “não tem fundamento jurídico ou mesmo político” e declarou que vai manter-se em funções até à posse do seu sucessor.

A segunda volta das eleições presidenciais conta com cinco missões de observação: União Africana, Comunidade Económica dos Estados da África Central, Estados Unidos da América, Índia e Japão.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional a missão de observação eleitoral da União Africana será chefiada “interinamente” por Abdoul Karim Songo, do Burkina Faso. A decisão acontece depois de o antigo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, ter acusado o governo de Bissau de o ter impedido de chefiar a missão de observadores.

O antigo ministro angolano das Relações Exteriores foi nomeado enviado especial da CEAC para a segunda volta das presidenciais. De acordo com o comunicado da CEAC, Manuel Augusto vai exercer uma missão “de bons ofícios junto dos actores políticos são-tomenses”, de forma a garantir a “estabilidade” no país.

 

Mais de 123 mil eleitores estão inscritos nos cadernos eleitorais, sendo 108.609 residentes em São Tomé e Príncipe e 14.693 nos 10 países onde se realizou o recenseamento eleitoral este ano.

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