SÃO TOMÉ E PRINCIPE

China e São Tomé e Príncipe reataram relações

O ministro são-tomense dos negócios estrangeiros, Urbino Botelho, e o seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim a 26/12/2016.
O ministro são-tomense dos negócios estrangeiros, Urbino Botelho, e o seu homólogo chinês, Wang Yi, em Pequim a 26/12/2016. China Daily/via REUTERS

A China e São Tomé e Príncipe restabeleceram relações diplomáticas em Pequim. Os chefes da diplomacia dos dois países assinaram nesse sentido um comunicado conjunto, acto que ocorre quase uma semana após a ruptura das relações do arquipélago lusófono com Taiwan.

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Urbino Botelho, ministro são-tomense dos negócios estrangeiros, alegou que o seu país queria "redimir-se dos erros do passado" e pediu investimento e turistas da China para o arquipélago.

Por seu lado o seu homólogo chinês, Wang Yi, afirmou que o reatamento das relações será benéfico para ambos os países prometendo "intercâmbios nos sectores do turismo, media e outros".

Com a ruptura a 20 de Dezembro passado das relações de São Tomé e Príncipe com Taiwan a República da China, nome por que é conhecida a antiga Formosa, só 21 países reconhecem o regime de Taipé.

Taiwan que em 1949 acolheu o antigo governo chinês após o partido comunista ter tomado o poder no continente. A ilha é governada desde Janeiro passado pelo Partido democrático progressista de Tsai Ing-wen que defende a independência da ilha e o afastamento em relação a Pequim.

O poder central chinês que ameaça usar a força caso Taiwan declare a sua independência por estar convencido de que a prazo a ilha rebelde voltará a estar sob administração de Pequim.

A China popular que defende com intransigência o príncipio de "Uma só China", pedra basilar para as relações internacionais da China continental com os parceiros externos.

Há duas décadas atrás Taiwan era tido como um dos quatro tigres asiáticos, com a Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura, com uma política generosa junto dos parceiros internacionais.

Vinte anos volvidos a China popular assume-se hoje como a segunda maior economia do planeta.

Mudanças geopolíticas que podem ter pesado nesta mudança de orientação de São Tomé e Príncipe, país a atravessar uma grave crise financeira.

David Lee, ministro dos negócios estrangeiros de Taiwan, afirmara que o arquipélago exigira ao país uma quantia astronómica para manter o relacionamento com Taipé.

Teresa Nogueira é especialista da China na Amnistia Internacional em Portugal. Em seu entender esta reviravolta são-tomense fica a dever-se ao poderio económico de Pequim.

Poderio económico da China nas relações internacionais

Para esta responsável da Amnistia Internacional estaria em curso uma política hegemónica à escala mundial com Taiwan a ficar cada vez mais sufocada pela China popular.

 

China potência hegemónica mundial sufoca Taiwan

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