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Sao Tomé e Príncipe

São Tomé: Arlécio Costa desmente Peter Lopes

São Tomé e Príncipe - Palácio Presidencial
São Tomé e Príncipe - Palácio Presidencial RFI / Liliana Henriques
3 min

Arlécio Costa, um dos membros do ex-Batalhão Búfalo, que protagonizou em 2003 um golpe de Estado, desmente as declarações do seu ex-colega, Peter Lopes que acusou Patrice Trovoada de ter financiado esse golpe de Estado e de ter ordenado a morte dos ex-Presidentes Pinto da Costa e Fradique de Menezes.

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Arlécio Costa, um dos 12 membros do Batalhão Búfalo, que a 16 de Julho de 2003 protagonizou um golpe de Estado em São Tomé e Príncipe, desmente as declarações, aqui divulgadas ontem, do seu ex-colega, Peter Lopes, segundo as quais o  actual primeiro-ministro, Patrice Trovoada, financiou esse golpe e deu instruções para matar os ex-Presidentes Pinto da Costa e Fradique de Menezes, bem como o então ministro da defesa, Óscar Sousa.

Arlécio Costa, ex-presidente do partido extinto Frente Democrática Cristã, afirma ter sido o líder do golpe de 2003, no qual participou também o vice-presidente deste partido, Sabino dos Santos, mas cuja liderança na altura foi atribuida ao major Fernando Pereira.

Os 12 membros do Batalhão Búfalo foram amnistiados.

Este era constituído por mercenários africanos a soldo do governo da África do Sul até o fim do apartheid e depois trabalharam para a empresa sul-africana de mercenários, Executive Outcomes.

Arlécio Costa protagonizou outro golpe de Estado em Fevereiro de 2009, tendo sido o único condenado a cinco anos de prisão efectiva, por actos preparatórios contra a segurança do Estado, associação de malfeitores, actos equiparados a rebelião e posse ilegal de armas, Bonifácio Ramos teve pena suspensa e os 15 outros golpistas foram absolvidos.

Arlécio Costa, ex membro Batalhão Búfalo

Em declarações à Rádio Televisão de São Tomé e Príncipe, Arlécio Costa afirma que "Peter Lopes foi instrumentalizado"mas admite: "conversamos com Patrice Trovoada antes do golpe de Estado de 2003 e este aconselhou-nos "cuidado, controle...com calma as coisas vão-se resolver", logo o agora primeiro-ministro estaria implicitamente ao corrente do mesmo.

Transcrição de um extracto das declarações de Arlécio Costa

"Essa história do golpe é um bocado complicada, nósviemos da África do Sul...quem nos ajudou a fazer o golpe nem está aqui e não tem nada a ver com figuras do Estado...

...inclusivamente o dr. Patrice [Trovoada] quando nós fizemos o golpe ele esteve a falar conosco e nos aconselhou : "rapazes vocês têm que ter muito cuidado, vocês podem descontrolarem-se, pessoas podem morrer...vocês têm que ter muito controle,porque com calma as coisas vão-se resolver",até foi uma participação benéfica...não sei onde é que apareceu esta história de que ele andou a financiar o golpe...

...vamos pedir justiça, porque realmente não podemos estar num país onde cada um diz aquilo que quer e sai ileso...ele que venha explicar à Nação e mostrar as provas que tem, que dizem que o dr. Patrice Trovoada está envolvido no golpe e que quis mandar matar pessoas...eu não vou acusar ninguém, porque não tenho provas, mas o que leva a crer é que realmente ele está sendo instrumentalizado...

...Como vocês sabem, nós chegamos aqui e fizemos o trabalho, mas parte do grupo encontra-se na África do Sul...pensaram que havia alguém, uma cabeça por trás do golpe, não, os coordenadores vieram por conta própria, nós não temos ninguém que nos ajudou a fazer nada, para já seria pôr em risco também a nossa própria segurança, por causa do sigilo, nós é que fomos os organizadores do golpe".

O primeiro-ministroPatrice Trovoada pediu esta quarta-feira às autoridades judiciais são-tomenses e sul-africanas que investiguem a veracidade das acusações de Peter Lopes, pelo alegado financiamento do golpe de Estado de 2003.

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