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Cineasta americana que cresceu no Brasil promove filmes experimentais de mulheres em Paris

Áudio 07:06
Vivian Ostrovsky, cineasta e curadora da segunda edição do Festival de Filmes Experimentais Scratch Collection.
Vivian Ostrovsky, cineasta e curadora da segunda edição do Festival de Filmes Experimentais Scratch Collection. © RFI

Vivian Ostrovsky é cineasta e curadora de festivais de cinema experimental em todo o mundo. Para a segunda edição do Scratch Collection, um evento que acontece desde 5 de outubro, no cinema independente Luminor de Paris, ela escolheu exibir apenas filmes realizados por mulheres.

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O Scratch Collection destaca os filmes da coleção Light Cone, que reúne mais de seis mil obras e revela um panorama do cinema experimental mundial. A veterana Vivian Ostrovsky, uma das integrantes da Light Cone desde o início da coleção em 1982, foi escolhida como curadora desta segunda edição.

A cineasta, que sempre militou pela promoção de filmes realizados por mulheres, escolheu 40 filmes, projetados em seis sessões semanais, até 18 de novembro. “Seis mil filmes é muita coisa. Para fazer a seleção, eu teria que ver os filmes antes. Pensei no passado, nos anos de 1974 a 1980, quando tinha uma distribuidora pequena não comercial de filmes realizados por mulheres. Na época, os distribuidores, que eram todos homens, não queriam tocar em filmes de mulher, declarando que não havia interesse do público para mostrar esses filmes”, lembra Vivian Ostrovsky.

Ela constata que, até hoje, os filmes experimentais realizados por mulheres continuam invisíveis. “Por exemplo, o Centro Pompidou publicou um catálogo da coleção do Museu Nacional de Arte Moderna e em 50 cineastas colocaram apenas três mulheres: Germaine Dulac, dos anos 1920, da época do cinema mudo, Maya Deren, dos anos 1940, e Tacita Dean. Ainda há necessidade de batalhar”, revela a curadora.

Entre as obras selecionadas, “Há Terra”, da brasileira Ana Vaz, realizada em 2016. Mas nenhum dos mais de 30 filmes realizados por Vivian Ostrovsky integram a programação. “Deus me livre!”

Geração milenium

A ideia era dar um panorama da história do cinema experimental dos anos 1940 até os dias de hoje para “redescobrir clássicos e, principalmente, conhecer as novas gerações, os ‘mileniums’”. O cinema experimental evoluiu, mais como é uma arte manual, feita de experiências, “tem jovens hoje que resolvem trabalhar em película e não em vídeo. Tem todos os movimentos possíveis (...) todas as técnicas diferentes de cinema”, detalha. As temáticas também são inúmeras e variadas.

Vivian Ostrovsky nasceu nos Estados Unidos em 1945, mas cresceu no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro para onde os pais, judeus europeus, se mudaram em 1938 fugindo da guerra e do regime nazista. Vários de seus filmes fazem referência ao país e à cultura brasileira.

"Eu fiquei encantada de ter o Brasil como meu primeiro lar porque era um país muito caloroso, humano, e no Rio de Janeiro, a carioquice, o humor. Tudo isso deixou uma espécie de camada em mim", diz.

A cineasta diz que como todo o setor cinematográfico, o experimental também foi impactado pela crise provocada pela pandemia de Covid-19, mas ressalta que felizmente na França a “cultura é extremamente privilegiada. O que não é o caso dos Estados Unidos ou do Brasil, onde a Cinemateca de São Paulo queimou por total falta de apoio”.

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