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Filme brasileiro sobre Glauber Rocha estreia no Festival de Cinema de Roma

Áudio 07:06
O filme brasileiro Glauber, Claro tem a sua estreia mundial neste 17 de outubro no Festival de Cinema de Roma.
O filme brasileiro Glauber, Claro tem a sua estreia mundial neste 17 de outubro no Festival de Cinema de Roma. © Divulgação
Por: RFI
12 min

O filme brasileiro Glauber, Claro faz sua estreia mundial neste sábado (17) no Festival de Cinema de Roma. O longa-metragem aborda a experiência italiana do cineasta Glauber Rocha e de seu filme Claro (1975). Dirigido por César Meneghetti, o documentário revisita lugares que o diretor frequentou nos anos 1970 através de memórias de amigos, testemunho de colaboradores e de pessoas que o amaram, revelando fatos inéditos de seus anos de exílio até sua cólera contra o Festival de Veneza, em 1980.

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

O diretor César Meneghetti, que morou 22 anos em Roma, onde estudou cinema no Centro Sperimentale di Cinematografia na década de 1990, conversou com a RFI sobre a película: “Para mim, o filme Glauber, Claro representa uma devolução a Cidade Eterna por todos os anos que eu vivi na Itália. Fizemos o documentário também para quem não conheceu o Glauber Rocha, para as novas gerações, para registrar o seu pensamento visionário que é atual até hoje.” disse.

O diretor, que está em São Paulo, não pôde vir a Roma por causa das rígidas normas contra a pandemia. O festival, que dura até o próximo dia 25 de outubro, admite a presença de convidados e do público respeitando o distanciamento físico e controlando a temperatura. Mas o governo impõe regras para entrar no Itália. As pessoas provenientes de países com grande número de contaminados, como o Brasil, tem que fazer testes para a Covid-19 e ficar em quarentena.  

“São regras necessárias neste momento de pandemia. Eu sinto muito não estar em Roma e participar da estreia, mas é pela segurança da saúde de todos. A Itália está certa, temos que nos precaver.” comentou o diretor. O filme traz cerca de 20 entrevistas com pessoas ligadas a Glauber Rocha. “ Entrevistamos pessoas que trabalharam no Claro como grande seu amigo e ator Cachorro, a atriz Bettina Best, entre outras pessoas maravilhosas. Temos também a participação do cineasta Marco Bellocchio.”

Meneghetti lamenta não ter entrevistado o cineasta Bernardo Bertolucci: “Escrevi a Bertolucci em maio de 2018 para pedir uma entrevista. Ele respondeu que amou muito o cinema do Glauber e o próprio Glauber", diz o diretor.  Voltei a Roma no final de outubro para a minha mostra Inclusion/Exclusion no Museu Vittoriano, mas Bertolucci estava muito doente e faleceu em 26 de novembro. Conseguimos declarações dele em material de arquivo”, conta.

As gravações foram feitas em Roma e se concentraram em apenas um mês, em maio do ano passado. A equipe contou com o apoio da Embaixada do Brasil para gravar dentro da sua sede, o Palazzo Pamphilj. O diretor ressalta uma série de coincidências em torno ao trabalho.

“Um dia a gente estava filmando no Da Luigi, um restaurante que o Glauber e o seu grande amigo Gianni Barcelloni iam comer todo dia. Ai passou por acaso uma senhora que era Pia Candinas que estava no filme do Glauber. Aproveitamos para entrevistá-la. Outro exemplo foi quando eu perguntei cinegrafista que fez o drone, Gianmarco, onde estava a praia que o Glauber filmou? Ele me respondeu, essa casa do filme é da avó da minha namorada  em Torvaianica, uma praia próxima a Roma”, relata.

Claro de Glauber Rocha

Segundo Meneghetti, o filme Glauber Rocha retratou no filme Claro os problemas sociais de 1975. “Para o Glauber, o Claro é Roma vista por um colonizado. A sua visão brasileira de Roma. O enredo trata de um pai capitalista, uma mãe prostituta, tem dois filhos que tramam a morte do pai, mas a temática é mais profunda", analisa. 

"Trata-se de um trabalho experimental, um mosaico que mistura documentário e testemunho político. Em 1975 foi o ano que a guerra do Vietnã terminou e os Estados Unidos perderam. Naquele mesmo ano foi assassinado o cineasta italiano Pier Paolo Pasolini. No filme, Glauber mostra as manifestações do 1° de maio em Roma e várias coisas contra o governo italiano da época”, detalha o diretor.

A exibição de Glauber, Claro no Festival de Cinema de Roma será no Maxxi, museu de arte do século 21. O filme participará também da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O longa-metragem será distribuído internacionalmente pela Wide, com sede em Paris.

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