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“Miopia do Brasil de não olhar para a África é muito danosa”, critica presidente do Fórum Brasil-África 2020

Áudio 07:03
O presidente do Instituto Brasil-África, João Bosco Monte.
O presidente do Instituto Brasil-África, João Bosco Monte. © Ibraf
11 min

Devido à crise sanitária o Fórum Brasil-África 2020 será realizado on-line pela primeira vez em sua história. Os debates vão focar as necessidades globais pós-pandemia. João Bosco Monte, presidente do Instituto Brasil-África (Ibraf), que organiza o evento, ressalta a importância da cooperação internacional para enfrentar essa crise inédita e diz que “a miopia do Brasil em não olhar para a África é muito danosa”.

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O Fórum Brasil-África (BAF), que promove a cooperação, comércio e investimentos entre as duas regiões, acontece nos dias 3 e 4 de novembro, com inscrições gratuitas. Entre os palestrantes estão vencedores do Prêmio Nobel, como o médico Denis Mukwege, personalidades africanas e brasileiras.

João Bosco Monte explica que todos os anos eles buscam um tema convergente para centralizar as discussões e que, neste ano, a maneira “como o mundo vai atuar no pós-pandemia” se impôs.

A crise provocada pela Covid-19 agravou situações econômicas e sociais, tanto no Brasil quanto nos países africanos, mas a fragilidade no sistema econômico é mundial, relativiza o presidente do Ibraf. “O mundo não está preparado para uma situação tão difícil quanto a que estamos vivendo agora. A cooperação econômica, as trocas comerciais entre as diversas nações e entre empresas foram afetadas. E isso precisa de algum tempo para volta à normalidade”, acredita.

Especificamente sobre a relação Brasil-África, ele indica que ainda não há dados sobre as perdas desde o início da pandemia e que o Ibraf está fazendo uma radiografia para “avaliar o tamanho do impacto para as empresas brasileiras e africanas, mas também para as relações internacionais governamentais”.

Incrementar a cooperação

O Fórum Brasil África acontece no momento em que a crise da Covid-19 se intensifica e atinge com força vários países e João Bosco Monte enfatiza a importância fundamental da cooperação internacional para superar esse momento. “Se não houver um trabalho conjunto as respostas serão mais difíceis de serem encontradas. No contexto da cooperação sul-sul, há uma necessidade urgente de maior concertação e o multilateralismo é uma realidade que precisa ser evidenciada. Nós não podemos viver numa bolha”, enfatiza.

O presidente do Ibraf, que é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2013, com sede em Fortaleza, critica a atual política estrangeira brasileira. A relação Brasil África teve um grande incremento no início dos anos 2000, mas que registra um recuo nos últimos anos.

“Eu acho que o distanciamento do Brasil não é apenas em relação à África. A política externa do governo precisa definir seu rumo. Há uma tendência a conversar mais com os Estados Unidos e Israel. Tem de haver diálogo com todos, inclusive com a África. Não entendo que o governo tenha riscado a África de sua agenda, mas não há uma definição tácita de que o continente africano ou outra região possam e devam ser importantes na política externa. A miopia de não olhar para a África é uma crítica que faço, é muito danosa”.

João Bosco Monte garante que, devido aos laços históricos, há uma “simbiose” e o diálogo entre as duas regiões é fácil. A balança comercial com o continente ainda é favorável a Brasília. Por exemplo, 80% da proteína consumida no Egito e 70% do açúcar na Nigéria são brasileiros, mas o Brasil vem perdendo terreno nos últimos 6, 7 anos, para nações como China, Turquia e Japão.

O presidente do Ibraf é otimista e acredita que é possível recuperar o espaço perdido, “incentivando o diálogo, fazendo com que a distância entre os dois espaços diminua e haja convergência de interesses e busca de oportunidades”.

 

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