Acessar o conteúdo principal
Linha Direta

Segundo turno de eleições municipais tem briga de clã em Recife e disputa acirrada em algumas capitais

Áudio 04:36
Ao menos quatro capitais chegam ao segundo turno com disputa apertada nesta reta final: Recife e Belém, onde os candidatos aparecem grudados nas intenções de voto, e Maceió e Vitória
Ao menos quatro capitais chegam ao segundo turno com disputa apertada nesta reta final: Recife e Belém, onde os candidatos aparecem grudados nas intenções de voto, e Maceió e Vitória TARSO SARRAF AFP
Por: Raquel Miura
9 min

No Recife, briga no clã Arraes macula relação histórica entre PT e PSB, na campanha pelo segundo turno das eleições municipais nesse domingo (29). Em São Paulo, Covas lidera, mas crescimento de Boulos empolga apoiadores. Justiça Eleitoral não deve encerrar os trabalhos após a apuração do segundo turno, já que inúmeras ações de corrupção eleitoral foram encaminhadas aos tribunais.

Publicidade

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Ao menos quatro capitais chegam ao segundo turno com disputa apertada nesta reta final: Recife e Belém, onde os candidatos aparecem grudados nas intenções de voto, e Maceió e Vitória, onde a diferença entre os adversários é de até cinco pontos percentuais. Além dessas, outras quatro capitais brasileiras têm pesquisas Datafolha ou Ibope que apontam menos de dez pontos entre os candidatos: São Paulo, Porto Alegre, Cuiabá e São Luís.

Na capital pernambucana a briga é entre dois primos e o acirramento da campanha deverá deixar feridas na esquerda. Marília Arraes, do PT, neta de Miguel Arraes, começou o segundo turno com certa vantagem, mas aparece agora colada em João Campos, do PSB, filho do ex-governador Eduardo Campos.

“Montaremos uma equipe de governo com ampla participação feminina e com critérios técnicos. No meu gabinete, como deputado, fiz seleção para contratar a equipe por respeito ao dinheiro público, com total transparência. Algo que Marília não pode dizer, já que é acusada de contratar funcionários fantasmas. O Brasil quer entender o que se passava lá”, afirmou João Campos, se referindo a um áudio divulgado, em que o deputado Túlio Gadelha fala sobre sugestão de “rachadinha” por parte da candidata do PT.

“A justiça já tirou do ar essa propaganda, essa mentira deles, essas agressões. E não vamos cair na deles, não. Vamos atrás de voto até domingo. Pesquisas apontavam que meu adversário teria mais de dez pontos de vantagem no primeiro turno e isso não aconteceu, por isso com seriedade e honestidade vamos buscar voto até o fim”, rebateu Marília Arraes.

Disputa sem vencedores

O diretor nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e analista do Portal Inteligência Política, Melillo Diniz, acha que é uma disputa sem vencedores: “Virou uma luta terrível do mesmo clã, sem nenhum vitorioso diante da destruição das relações históricas entre PT e PSB no estado”.

Ele também aponta mudança no campo da direita com o fortalecimento do DEM, de Rodrigo Maia, que levou três capitais no primeiro turno e deve consolidar agora o Rio de Janeiro, com Eduardo Paes, que tem ampla vantagem sobre Marcelo Crivella (Republicanos). “O DEM ganha maior destaque com as eleições municipais, bem como o PSOL na esquerda com Boulos, em São Paulo, que vem crescendo e pode surpreender na disputa com o tucano Bruno Covas”, diz.

“Teremos emoção até o fim também em Porto Alegre”, diz o cientista político, citando a briga entre Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Diniz chama atenção ainda para a disputa em Fortaleza onde a corrida indireta por votos é entre Bolsonaro e Ciro Gomes, que apoiam, respectivamente, Capitão Wagner (PROS) e José Sarto (PDT). O pedetista aparece na frente das pesquisas.

Cabo eleitoral indesejável

O presidente Jair Bolsonaro, que se mostrou fraco cabo eleitoral no primeiro turno, foi aconselhado a manter um distanciamento maior na segunda etapa das eleições. Nos últimos dias ele chegou a gravar apoio a alguns candidatos de cidades médias e após, na transmissão ao vivo nessa quinta-feira pela internet, falou de política apenas no fim, quando disse que domingo estará no Rio e “o pessoal já sabe em quem vou votar, fiz campanha para o Crivella”.

A Justiça Eleitoral não encerra o trabalho findada a apuração do segundo turno, já que são inúmeras as ações encaminhadas aos tribunais fechadas as urnas. “Tenho a impressão de que vencemos algumas batalhas, mas que há muito a avançar ainda para acabar com a corrupção eleitoral, não apenas velhas práticas que persistem, mas também práticas novas, que foram crescendo com apoio da tecnologia e com a criação de enormes máquinas empresariais de conquista de votos”, analisa o diretor do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

Além de 18 capitais, outras 39 cidades brasileiras terão segundo turno neste domingo, com mais de 38 milhões de brasileiros aptos a votar.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.