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Linha Direta

Desânimo com disparada de casos domina britânicos, um mês depois de iniciada vacinação contra a Covid-19

Áudio 05:30
Foram mais de mil óbitos em 24 horas, o que não acontecia desde abril. Para o premiê britânico, Boris Johnson,  o lockdown é a única medida acertada, por enquanto.
Foram mais de mil óbitos em 24 horas, o que não acontecia desde abril. Para o premiê britânico, Boris Johnson, o lockdown é a única medida acertada, por enquanto. REUTERS - HENRY NICHOLLS
Por: Vivian Oswald
11 min

O otimismo que tomou conta do Reino Unido no início de dezembro virou desânimo com a virada do ano. Primeiros a aprovar as vacinas da PfizerBiontech e AstraZeneca/Oxford, os britânicos também têm a campanha de imunização mais adiantada da Europa. Nada disso foi suficiente para impedir um terceiro lockdown nacional e recordes tristes que pareciam uma realidade distante.

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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

Uma em cada 50 pessoas tem Covid no país, uma em cada 30 em Londres. De 27 de dezembro até o segundo do dia do ano, 2% da população foram contaminados. Quando anunciou o terceiro lockdown nacional na segunda-feira (4), o governo avisou que a situação ainda vai piorar antes de melhorar. É o que está acontecendo. Os hospitais estão sob pressão, com o número de internações ultrapassando os 30 mil casos. As mortes diárias superaram mil pela primeira vez desde abril, no pico da crise. Os serviços de ambulância em West Midlands tiveram um recorde de chamadas em 24 horas na segunda-feira. Foram mais de 5 mil.

Tudo isso foi um balde de água fria nas expectativas da população, que já contava estar livre das restrições por volta de abril. Já havia gente planejando férias de verão. Companhias de turismo anunciavam pacotes para a temporada. Em pleno inverno, com temperaturas de um dígito, próximas de zero nos últimos dias, as pessoas só podem sair de casa para fazer exercícios uma vez por dia. Escolas e universidades não reabriram como previsto. É uma sensação de que se voltou à estaca zero quase um ano depois que tudo isso começou.

Como já esperavam os especialistas, a aprovação das vacinas e o início da campanha de imunização não colocam um ponto final nesta crise de uma hora para a outra. E a nova variante do coronavírus encontrada no Reino Unido, que se espalha rápido, infectando até 70% mais depressa, complica o cenário.

O governo joga com a ideia de que a vacina está cada vez mais próxima de todos. Esta semana, a clínica da família que atende o meu bairro avisou por e-mail e SMS que vai começar a vacinar com o imunizante da Pfizer na semana que vem. Deixara claro que, nesse primeiro momento, só chamarão as pessoas com mais de 80 anos, sem exceções. 

Mobilização sem precedentes

O confinamento ainda não tem data para acabar. Fala-se em algo entre meados de fevereiro ou até março, mas será gradual, segundo o primeiro-ministro Boris Johnson. Vai depender dos resultados do lockdown em curso e do ritmo da vacinação. Mais de um milhão e meio de doses já foram distribuídas. As autoridades falam em vacinar pelo menos 14 milhões de pessoas até fevereiro. Isso incluiria os idosos, profissionais de saúde e asilos. Vamos ver como isso vai ser viabilizado. O Reino Unido tem 66 milhões de habitantes. Esta é a maior campanha de vacinação da história deste país.

O sistema de saúde já vinha pressionado antes da pandemia com a falta de mão de obra. O NHS, como é chamado o SUS britânico, está atrás de voluntários para trabalhar na vacinação. Médicos e enfermeiros têm dobrado e até triplicado seus turnos entre os cuidados com os pacientes e distribuição de vacinas. Estruturas estão sendo montadas por todo o país. Mais de mil clínicas da família vão entrar na campanha nos próximos dias. Ginásios de universidades e outros espaços estão sendo transformados em locais para vacinação. É uma mobilização sem precedentes.

A partir desta quinta-feira, a população retoma os aplausos semanais em homenagem aos profissionais de saúde. A iniciativa, repetida por 10 meses no ano passado, era também uma desculpa para que os vizinhos se saudassem durante o confinamento.

Preocupação com estoques

As ruas estão desertas. Os supermercados já não têm vagas para entregas a domicílio antes do final do mês. Muitos pediram aos consumidores calma, pois têm muitos estoques. Mesmo assim, já há limites de quantidades para a compra de certos produtos, como massas, papel higiênico e outros considerados essenciais. A ideia é evitar que uma corrida deixe estantes vazias e impeça os mais vulneráveis de se abastecer.

Os pubs estão fechados novamente. Não há no horizonte uma data para a sua reabertura. Os proprietários não sabem o que fazer com os barris de cerveja que não serão consumidos. Na segunda-feira, o governo anunciou mais um pacote de ajuda, desta vez de 4,6 bilhões de libras (cerca de R$ 33 bilhões) para ajudar o comércio, e seguirá pagando parte dos salários dos trabalhadores. Especialistas avisam que isso não será suficiente para conter a onda de demissões que varre o Reino Unido desde o ano passado. Os índices de desemprego continuam batendo recordes, assim como as filas nos bancos de alimentos.

O país vai precisar de mais tempo para se recuperar da pior recessão dos últimos 300 anos. Para agravar a situação, fora da União Europeia, o Reino Unido ainda tenta se adaptar à nova realidade econômica, agora em voo solo após a consolidação do Brexit.

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