Fotografia brasileira engajada e de resistência é destaque em exposição em Paris

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Imagem da série "Pseudo Indígenas", de Ana Mendes, em exposição em Paris até 20 de novembro de 2021.
Imagem da série "Pseudo Indígenas", de Ana Mendes, em exposição em Paris até 20 de novembro de 2021. © Ana Mendes / Divulgação

Novembro é tradicionalmente o mês da fotografia na França, com muitas exposições, encontros e debates em torno da imagem. É também a volta em formato presencial, desde o início da pandemia, da feira Paris Photo, uma das maiores do calendário internacional. A fotografia brasileira engajada tem destaque em uma exposição no bairro do Marais, na capital francesa. 

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Por Patricia Moribe

As plataformas Iandê e a Photo Doc apresentam os quatro vencedores do Open Call Rituais Fotográficos/Rituais de Resisência, um concurso lançado no último Encontros de Arles, outro evento importante no cenário internacional. Quinze curadores brasileiros apresentaram o trabalho de dois fotógrafos.

Ana Mendes foi o principal destaque, com “Pseudo Indígenas”, com curadoria de Marcela Bonfim. Tendo o registro de povos e comunidades tradicionais do Brasil como norteador de seu trabalho, ela apresenta em Paris imagens dos Akroá Gamella, do Maranhão, e dos Guarani e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul.

As fotografias sofrem intervenções, com palavras ditas por pessoas públicas, como políticos, juízes ou ministros, “que demonstram o racismo estrutural que o Brasil vive, questionando a identidade de uma população indígena”, explicou a artista. O trabalho de Ana Mendes também foi vencedor da categoria documental do 7° Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia.

O trabalho da fotógrafa Ilana Bar, em exposição ao ar livre, em Paris, até 20/11/21.
O trabalho da fotógrafa Ilana Bar, em exposição ao ar livre, em Paris, até 20/11/21. © Patricia Moribe - RFI

O prêmio especial do júri foi para Ilana Bar, com “Transparências de lar”, que há anos vem fotografando a própria família. “As fotos falam de intimidade, de humanidade”, conta Ilana, que começou fazendo experimentações até chegar a um vasto e rico ensaio. “Ele foi se criando de maneira orgânica, no dia a dia, através do contato com os personagens, que são a minha família, que olham para mim, que faço parte da história”. A curadoria foi de Sinara Sandri.

Edgar Kanayko, da etnia Xakriabá, foi outro dos quatro finalistas. Além de fotógrafo, ele também é mestre em antropologia. Ele trabalha com a etnofotografia, que é um dos meios de se registrar os aspectos principais da cultura e da vida de um povo, no caso o indígena. O trabalho de Kanayko foi apresentado pelo curador Milton Guran.

Foto de Edgar Kanykô, em exibição em Paris até 20/11/21.
Foto de Edgar Kanykô, em exibição em Paris até 20/11/21. Edgar Kanayko Xakriaba

Rodrigo Zeferino concorreu com seu olhar sobre a cidade de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. O projeto “O Grande Vizinho”, realizado entre 2016 e 2018, retrata a convivência entre cidade e usina, planejadas para coexistir lado a lado, frente a frente. A curadoria foi de Eugênio Sávio.

O fotógrafo Rodrigo Zeferino mostra a convivência entre zona industrial e prédios residenciais em Ipatinga, Minas Gerais.
O fotógrafo Rodrigo Zeferino mostra a convivência entre zona industrial e prédios residenciais em Ipatinga, Minas Gerais. @RODRIGO_ZEFERINO

O comitê de seleção francês foi composto por Gláucia Nogueira, curadora e co-fundadora da Iandé, Charlotte Flossaut, da Photo Doc, Sophie Artaud, diretora cultural do projeto, Julia de Bierre, curadora e fundadora da galeria Huit Arles, e Christine Barthe, responsável pela unidade patrimonial fotográfica do Museu do Quai Branly.

A exposição pode ser visitada até o dia 20 de novembro, na galeria Basia Embiricos, em Paris.

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