Polônia anuncia construção de muro na fronteira com Belarus para conter onda migratória

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Imagem feita por um drone mostra imigrantes em um posto de controle "Kuznitsa" na fronteira Bielorrússia-Polônia, perto de Grodno, Bielorrússia, na segunda-feira, 15 de novembro de 2021.
Imagem feita por um drone mostra imigrantes em um posto de controle "Kuznitsa" na fronteira Bielorrússia-Polônia, perto de Grodno, Bielorrússia, na segunda-feira, 15 de novembro de 2021. AP - Leonid Shcheglov

A Polônia afirmou que vai começar ainda este ano a construção de um muro duradouro na fronteira com Belarus. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo governo polonês em momento que a tensão cresce na fronteira bielorrussa e a União Europeia prepara novas sanções contra Minsk.

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Marcio Damasceno, correspondente da RFI

Dificilmente a construção de um muro pode surtir algum efeito em relação às milhares de pessoas que estão agora presas em condições dramáticas, sob temperaturas geladas, na fronteira entre Polônia e Belarus.

Uma obra como essa leva muitos meses. Mesmo os trabalhos sendo "realizados 24 horas por dia em quatro trechos ao mesmo tempo", como afirmou o ministro do Interior polonês, Mariusz Kaminski.

O anúncio parece ser mais uma contribuição ao duelo de palavras entre Varsóvia e Minsk. O governo nacionalista de direita polonês tenta dar uma demonstração de força para seu público interno, vendendo uma ideia de que um muro trará segurança ao país, de forma parecida como fez o americano Donald Trump, com sua promessa de construir uma barreira física entre Estados Unidos e México.

A Polônia já construiu uma cerca provisória na fronteira com 2,5m de altura. Segundo Varsóvia, ela deve ser substituída por uma barreira de 5,5 m de altura e 180 km de extensão, munida de câmeras e sensores de movimento.

Um impasse como esse dificilmente será resolvido com muros, mas com pressão política sobre os verdadeiros arquitetos dessa crise. Entre eles é o governo de Belarus.

Sanções

Os países da UE acertaram nesta segunda a imposição de novas sanções contra Belarus. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirmou que o novo pacote de retaliações deve incluir "um número significativo" de cidadãos e empresas de Belarus que tenham ajudado a "facilitar o cruzamento ilegal de fronteiras para a UE".

Nas próximas semanas, deve ser divulgada uma lista de pessoas e entidades afetadas. De acordo com Borrell, ela incluirá companhias aéreas e agências de viagens que estariam levando refugiados para Belarus.

O próprio governo de Belarus diz que pediu que os migrantes voltem para casa e até teria oferecido ajuda para isso, mas a União Europeia é cética quando as reais intenções de Minsk e refuta essa oferta de Aleksander Lukashenko.

Diplomacia continua

O que o bloco europeu está fazendo agora, através das sanções, é tentar pelo menos parar esse trânsito, para impedir que ainda mais pessoas de outros países cheguem a Belarus e sigam para a fronteira polonesa. Essas sanções são uma tentativa de sinalizar que as empresas e pessoas que continuarem participando nesse trânsito de migrantes até a fronteira de Belarus serão penalizadas.

Mas os europeus também continuam tentando resolver o impasse pela conversa. A chanceler alemã, Angela Merkel e o presidente da França, Emmanuel Macron, lançaram mão da diplomacia pelo telefone.

Merkel telefonou ontem para Alexander Lukaschenko sobre a situação na fronteira e sobre possível ajuda humanitária. O resultado foram promessas de cooperação.

Macron falou com o presidente russo, Vladimir Putin. Segundo o governo francês, os chefes de Estado se comprometeram a cooperar e Putin teria concordado ser necessário dar um fim ao problema.

Preocupação humanitária

O governo polonês vem sendo muito criticado pelas nações ocidentais, por não deixar entidades humanitárias chegarem na região. Mas a maioria das pessoas está do lado de Belarus, fora dos limites da União Europeia.

O ministro do Exterior alemão, Heiko Maas, disse que se preocupa com a situação humanitária, mas descartou que a Alemanha venha a acolher esses refugiados. Ele argumentou ser necessário demonstrar que refugiados não podem ser instrumentalizados por regimes autoritários como de Belarus.

O ministro alemão afirmou que essas pessoas, que chegaram a Belarus com uma passagem de avião, têm de voltar para seus países de origem.

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