Elisabetta Recine se torna a única brasileira no painel de especialistas da ONU sobre segurança alimentar

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A Professora Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília
A Professora Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília © Captura de tela

O Comitê de Segurança Alimentar Mundial da ONU (CFS) anuncia, esta terça-feira (21), os novos membros do Painel de Especialistas de Alto Nível, entidade que ajuda a embasar com evidências científicas novas políticas focadas na promoção da segurança alimentar e na erradicação da fome. A professora Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília, é a única brasileira a integrar o grupo de 15 cientistas.

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Caroline Ribeiro, correspondente da RFI em Lisboa

O painel HLPE, da sigla em inglês, é o órgão das Nações Unidas que atua fazendo uma interface entre a ciência e as políticas públicas do setor. “O painel acredita que a ciência e as evidências são cruciais para lidar com a fome e a desnutrição descontroladas”, explica à RFI Brasil o secretário do CFS, Chris Hegadorn.

O HLPE foi criado em 2009 e cada grupo de especialistas é nomeado para dois anos de atividades. “O painel fornece evidências científicas de alta qualidade, independentes e imparciais para o CFS, que servem como base para suas diretrizes de política na promoção da segurança alimentar, nutrição e outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis. Estamos empenhados em continuar a apoiar países e outros parceiros”, diz Hegadorn.

A brasileira Elisabetta Recine vai se juntar a cientistas do Canadá, Alemanha, Índia, Japão, Nova Zelândia, Nigéria, Espanha, Trinidade e Tobago, Turquia, Uruguai, Reino Unido e Estados Unidos.

A RFI conversou em primeira mão com a cientista brasileira. “Tenho essa expectativa de que o painel possa, com a sua diversidade, com a sua legitimidade, contribuir com as discussões do Comitê de Segurança Alimentar. Não é nada fácil, pois todo espaço multilateral é complexo, mas é muito necessário. São muitas realidades, muitas necessidades e práticas também. Isso é importante. As sociedades de todos esses países estão realizando experiências muito importantes, que são uma grande inspiração para políticas públicas, tanto nacional quanto global”.

Cenário no Brasil

Em 2020, o Brasil voltou a entrar no chamado “mapa da fome”, com 19 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, sem ter o que comer. Situação que já vinha se desenhando nos últimos anos, mas que foi intensificada com a pandemia.

“O Brasil teve uma deterioração do nível de renda, da taxa de emprego, e houve uma desarticulação importante dos principais programas que constituem a rede de proteção social da nossa população. Nós entramos na pandemia, por exemplo, com mais de um milhão na fila do Bolsa Família. Com milhões de pessoas na fila dos benefícios do INSS. Em um país que tem desigualdades sociais tão importantes, a rede de proteção social é importante para garantir não só a vida dessas pessoas em condições mínimas, mas a própria vida do país como um todo. Você deteriora o país como um todo quando aumenta a vulnerabilidade dessas populações”, analisa Recine.

A professora acredita que a situação pode ser revertida e que o Brasil pode voltar a ser uma referência internacional no setor, “tudo vai depender das opções que fizermos”, diz. “O Brasil foi uma referência em termos de segurança alimentar muito importante, tanto do ponto de vista das políticas públicas que desenvolveu, como da experiência que acumulou na forma de coordenar esses programas, numa ação intersetorial".

Confira a entrevista na íntegra no vídeo acima.

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