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Revista francesa elogia Marcia de Carvalho, estilista brasileira que conquistou Paris com moda reciclada

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A estilista brasileira Marcia de Carvalho dá “vida novas para as meias órfãs”, explica a revista semanal do jornal econômico Les Echos.
A estilista brasileira Marcia de Carvalho dá “vida novas para as meias órfãs”, explica a revista semanal do jornal econômico Les Echos. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas

A revista do jornal econômico francês Les Echos traz em sua edição desta semana um perfil da estilista brasileira Marcia de Carvalho. Conhecida há anos em Paris por propor uma moda engajada e responsável, ela se tornou um dos símbolos da reciclagem na França.

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A paulista, que lançou uma marca com seu próprio nome em 1992, já morando na França, conta sua trajetória nas páginas da revista semanal. Ela lembra que cresceu no Brasil ao lado de uma máquina de costura, pois sua mãe tinha um atelier de confecção. Mas foi em Paris que se especializou nas malhas que se tornaram sua marca registrada.

Márcia é conhecida por ter criado o projeto “Chaussettes orphelines”, ou "meias órfãs", em francês. A iniciativa consiste em reciclar a lã dessas peças do vestuário para criar novas roupas.

“A ideia veio quando eu estava arrumando as gavetas dos meus dois filhos e me dei conta que havia muitas meias órfãs”, se lembra a estilista. “Acho que esse instinto vem do meu pai, que consertava e reciclava objetos e roupas lá em casa”, resume.

A estilista lembra que todas as criações de sua grife são realizadas a partir de meias recicladas, sejam elas órfãs ou simplesmente furadas. “A marca Chaussettes orphelines nasceu de uma vontade de não desperdiçar o que pode ser evitado”, explica a paulista. Desde então, Marcia firmou várias parcerias com empresas como L’Oréal ou Clarins, que organizam coletas de meias usadas junto a seus funcionários, ou ainda com prefeituras e particulares, que também fazem doações. “Reunimos cerca de duas toneladas por ano”, celebra a paulista.

Além de sua marca, Marcia criou uma associação, chamada Chaussettes solidaires, que reúne pessoas em situação de reinserção profissional para atuar na triagem das doações. A entidade, que funciona em escolas de um bairro popular do norte de Paris, também propõe formações sobre moda reciclada e ateliês de sensibilização à economia social e solidária. “Nós formamos cerca de 2 mil pessoas por ano. Somos uma pequena estrutura, mas temos a sorte de ter uma sólida equipe de voluntários”, explica.

Marcia conta que, como brasileira, desde muito jovem viu as desigualdades na população. “Disse para mim mesma que gostaria de trabalhar em uma área na qual, dentro das minhas possibilidades, pudesse mudar algo”, resume a estilista. E “entre eco-responsabilidade e solidariedade, essa brasileira consegue fazer avançar as coisas”, elogia a revista semanal do jornal econômico Les Echos.

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