Português Tiago Rodrigues se torna primeiro estrangeiro a dirigir sozinho o Festival de Avignon

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Tiago Rodrigues se torna, aos 44 anos, o novo diretor do Festival de Avignon.
Tiago Rodrigues se torna, aos 44 anos, o novo diretor do Festival de Avignon. Christophe Raynaud de Lage

O diretor português Tiago Rodrigues foi nomeado nesta segunda-feira (5) diretor do Festival de Avignon. O dramaturgo de 44 anos se torna, assim, o primeiro estrangeiro a pilotar sozinho o evento francês, uma das maiores manifestações teatrais do mundo.

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Silvano Mendes, enviado especial a Avignon

“É um dia muito feliz e um dia muito cheio”, resumiu modestamente o dramaturgo em entrevista à RFI, logo após a nomeação.

E não é para menos. O diretor, que estreia nesse primeiro dia do festival a adaptação do clássico “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchekhov, já desembarcou na cidade do sudeste francês como uma das estrelas desta 75ª edição do evento. A montagem apresentada no palco principal do Palácio dos Papas, na abertura do festival, é uma das mais esperadas da programação oficial e marca a consagração do diretor, que em menos de 20 anos se tornou um dos nomes mais celebrados na cena europeia.

Talvez por essa razão o Conselho de Administração do Festival não hesitou. O dramaturgo foi eleito por unanimidade, com anúncio feito pela ministra francesa da Cultura, Roselyne Bachelot-Narquin, e felicitações do primeiro-ministro português, António Costa.

O premiê tem suas razões para se orgulhar. Seu compatriota, que dirige atualmente o Teatro Dona Maria II de Lisboa, é o primeiro estrangeiro a assumir sozinho a direção do Festival de Avignon. Antes dele, apenas a suíça Hortense Archambault co-dirigiu o festival com Vincent Baudriller. O português substitui o francês Olivier Py, figura carismática que termina seu mandato este ano.

França, país de acolhimento

A nomeação de Rodrigues também reforça seus elos com o festival e com o país que o recebeu de braços abertos desde 2015, quando apresentou “António e Cleópatra”, uma adaptação do clássico de William Shakespeare, antes de conquistar definitivamente o público francês, em 2017, com “Sopro”. Ele chegou a assinar a programação durante uma temporada no Teatro da Bastilha, em Paris.

“Eu gostaria de agradecer a França, país de acolhimento, diverso e aberto, que acolhe e acolheu tantos migrantes e exilados, tanto portugueses, entre eles meu pai, que escapou da ditadura em Portugal”, desabafou Rodrigues ao ter sua nomeação anunciada.

Questionado sobre o que pretende fazer durante sua gestão do festival de Avignon, e se os elos com o mundo lusófono, em Portugal, no Brasil ou na África, seriam reforçados, Rodrigues disse que ainda é cedo para falar nisso. “Existe uma vontade de continuar a tradição da abertura do Festival de Avignon para o mundo”, se contentou em responder.

“Agora é o tempo de desfrutar dessa belíssima edição. Estou ansioso para ver vários artistas, como a [brasileira] Christiane Jatahy [que estreia na terça-feira (6) com “Entre chien et loup”, uma adaptação do filme “Dogville”, de Lars von Trier], por exemplo. Agora é vivermos o presente, com a felicidade de nos reencontrarmos no Festival de Avignon”, concluiu, já com discurso digno de diretor.  

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