"Brasil vive momento de desconstrução", diz o fotógrafo Francisco Proner em festival francês

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O fotojornalista brasileiro Francisco Proner participa do festival Visa pour l'Image, em Perpignan, na França (3/9/21).
O fotojornalista brasileiro Francisco Proner participa do festival Visa pour l'Image, em Perpignan, na França (3/9/21). © Patricia Moribe/RFI

Há mais de 30 anos o festival Visa pour l'image transforma a cidade de Perpignan, na fronteira com a Espanha, em meca do fotojornalismo. É uma ocasião única que reúne fotógrafos e profissionais do mundo todo, com exposições, palestras e conferências. Os veteranos e novatos trocam ideias e experiências. Uma profissão de fé, muito difícil, mas que gera muita satisfação também, como conta o brasileiro Francisco Proner.

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Por Patricia Moribe, enviada especial a Perpignan

Aos 21 anos, Francisco Proner já tem uma diretiva que norteia seu trabalho: a defesa dos direitos humanos. No momento, ele vem desenvolvendo projetos na América Latina sobre o tema. "As historias que me interessam têm a ver com isso", diz o jovem fotógrafo, que acompanha instituições como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Médicos sem Fronteiras.

"Comecei aos 14, 15 anos, fotografando manifestações que aconteciam naquela época no Rio de Janeiro", conta. Ele veio a Perpignan pela primeira vez em 2016 e também no ano seguinte.

Em 2018, Proner fez a foto que selou a sua carreira de fotojornalista: a do ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva, cercado por uma multidão imensa, logo após fazer um discurso em que disse que se entregaria à Policia Federal. A imagem viralizou e correu o mundo impresso e virtual.

"Eu estava acompanhando o ex-presidente por várias cidades ao redor do país; eu tinha ido à Paraíba, ao Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, acompanhando o processo", relata. Quando a prisão foi decretada, Lula, que estava em São Bernardo do Campo, anunciou que ia se entregar. "Foi o momento em que ele estava saindo do discurso, voltando para o sindicato dos metalúrgicos, eu estava na janela do terceiro andar quando fotografei a cena".

Em 2019, Proner voltou a Perpignan e apresentou seu trabalho aos profissionais de publicações e agências. Foi quando surgiu a proposta de integrar uma das mais importantes agências da atualidade, a francesa Vu.

A relação, formalizada no ano passado, trouxe uma nova dinâmica ao trabalho do fotografo. "Tenho trabalhado com uma equipe que me apoia muito, com reuniões semanais", conta. "É uma coisa muito interessante, pois é uma leitura constante, uma releitura, uma reflexão constante, sobre o meu trabalho e sobre o que eu faço cotidianamente no Rio".

Ele estava no Oriente Médio no começo do ano passado, quando a pandemia começou a varrer o mundo. "Obviamente, não é um momento feliz para ninguém, mas foi um momento interessante para pensar mais tempo sobre o que eu estou fazendo, foi um momento de bastante reflexão, de edição, de pensar e pesquisar melhor sobre os temas que me interessam".

Sobre o momento atual, ele diz que "o Brasil vive um momento de desconstrução de algo que demorou muito para ser construído, de sucateamento da fotografia, do cinema, da cultura em geral". Mas o ano de 2022 promete muitas reviravoltas e Franciso Proner quer acompanhar de perto o Brasil, com o olho no visor.

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